21.11.16

Convocado o 6º Congresso do PT

Texto publicado no Blog Ponto Crítico, disponível em: 
http://pontocritico.org/18/11/2016/convocado-o-6o-congresso-do-pt/

Uma oportunidade de reorganizar o Partido, mudar sua política e organizar a resistência. 
*Por Patrick Campos

Durante os dias 10 e 11 de Novembro, em reunião do Diretório Nacional ocorrida em São Paulo, o Partido dos Trabalhadores aprovou a convocatória do seu 6º Congresso. Os Congressos e os Encontros do PT sempre foram espaços extremamente importantes para o partido e também para as organizações populares, mas certamente este terá um grau de importância singular.
Afinal, em seus mais de trinta e seis anos de existência, o PT nunca se encontrou numa situação como a de hoje. Colocado na condição de principal responsável pela crise política e econômica vivida pelo país, enfrentando cotidianamente a criminalização por meio do oligopólio da mídia e da grande imprensa, alvo das ações de perseguição política e judicial promovida por membros do aparelho de estado e partidos da direita tradicional.
O resultado, além do impeachment da Presidenta Dilma, pode ser visto no saldo eleitoral de 2016 onde o partido saiu derrotado. Mais que isso, pode ser visto no crescimento do anti-petismo e na vitória da direita. PSDB, PMDB e os partidos que trabalharam para a consolidação do golpe que conduziu Michel Temer à Presidência da República cresceram em números de prefeituras e espaços nas câmaras de vereadores por todo o país.

Com o enfraquecimento do Partido dos Trabalhadores, os golpistas pisaram sem medo o pé no acelerador do projeto de desmonte do Estado. Provavelmente por acreditarem que não haveria resistência. Enganaram-se. Mobilizados contra o pacote de maldades representado pela Proposta de Emenda Constitucional 241, tramitando no Senado Federal agora como PEC 55, insurgiram por todo o país ocupações de escolas e universidades.
A resposta do Governo não foi outra que não repressão, criminalização e perseguição. As mesmas armas usadas na campanha de cerco e aniquilamento promovida contra o Partido dos Trabalhadores e toda a esquerda política e social brasileira. Neste momento, de forma desavergonhada, preparam a entrega do Pré-Sal para as petroleiras norte americanas e as Reformas da Previdência e do Ensino Médio, induzindo ao erro milhões de pessoas com propagandas mentirosas sobre a necessidade e os benefícios destas medidas.
São por estas e inúmeras outras razões que o 6º Congresso do PT possui uma dimensão histórica. Ao menos na quadra da história que vivemos, caberá ainda ao Partido dos Trabalhadores a tarefa de dirigir e organizar a resistência. Mas esta organização precede de uma mudança estrutural na política do próprio Partido dos Trabalhadores.
Durante os anos que permaneceu à frente do Governo Federal, e até mesmo para que pudesse chegar à ele, o partido mudou sua política. Incorrendo em erros já cometidos antes por outros setores da esquerda brasileira, optou pela estratégia de conciliação com setores da burguesia. A ideia por algum tempo pareceu correta para alguns, afinal, vivemos mais de dez anos de crescimento econômico incontestável, redução drástica do desemprego, criação de políticas de mobilidade social nunca vistas e melhoria na condições de vida do povo.
No entanto, a outra face dessa política era a manutenção das macroestruturas de poder que, por sua vez, jamais aceitaram perder uma após outra as eleições presidenciais. Além disso, a política de conciliação partia do pressuposto que existe gratidão por parte da burguesia. Ledo engano. Bastou a crise internacional limitar a taxa de lucros e a política econômica de distribuição de renda e valorização dos salários tornarem-se um empecilho, para o lado de lá virar a mesa e jogar no lixo as regras do jogo.
É tendo esta compreensão que a militância petista precisa chegar ao sexto congresso do Partido. É preciso mudar a política, recolocando o Programa Democrático Popular articulado com uma estratégia socialista como sua bussola de orientação. Nesse sentido, merece destaque a iniciativa do Muda PT, articulação de diversos setores do partido que defendem uma mudança de sua política e estratégia.
Mudar o PT é imprescindível, pois a manutenção de sua atual política é uma estrada asfaltada para a derrota do projeto de transformação social de todo um setor que quer resistir às investidas do grande capital e do imperialismo e construir um outro modelo de sociedade, livre das opressões e explorações.
O Partido dos Trabalhares ainda é o principal representante deste projeto do Brasil. É importante que se registre isso. E não apenas nós sabemos disso, mas a direita também sabe. Não é atoa que é o PT o inimigo identificado como aquele que deve ser destruído e derrotado política, eleitoral e moralmente.
Sabendo disso, o sexto congresso deve ser o momento para que aqueles que querem mudar o PT para fazê-lo resistir darem todas as suas energias. O calendário já foi definido. O Diretório Nacional estabeleceu que a eleição das direções municipais (infelizmente ainda por meio do Processo de Eleições Diretas) e a eleição dos delegados e delegadas para os Congressos Estaduais será realizada no dia 12 de março de 2017.
Mas tanto a eleição das direções estaduais quanto a direção nacional do partido serão eleitas em Congressos, estes que são a melhor maneira de garantir a democracia interna e o debate tão necessário entre as filiadas, os filiados e toda e qualquer pessoa que deseje discutir os rumos do PT.
A inscrição das chapas para os diretórios municipais e as chapas de delegados para os congressos estaduais deverá ocorrer até o dia 30 de Janeiro. Ou seja, já deve-se criar o clima e o ambiente de construção do congresso imediatamente. A orientação do Diretório Nacional é que as direções partidárias em todos os níveis deverão promover reuniões e debates com o movimento social, intelectuais, partidos aliados e entidades populares sobre o temário do congresso.
A pauta do Congresso, por sua vez, será o Cenário Internacional, o Cenário Nacional, o Balanço dos Governos Nacionais Petistas, a Estratégia e o Programa e o Funcionamento do PT e a organização Partidária. O objetivo é deflagrar uma onda de debates e discussões que seja capaz de alinhar os setores do campo democrático e popular, produzindo reflexões e ações para toda a esquerda brasileira.
Caso tenha-se sucesso, o sexto congresso do PT pode ser a força motriz de um processo de renovação, reorganização e resistência que são extremamente necessários para derrotar o golpismo, defender a democracia e os direitos sociais. É um chamado à resistência. Que venha um congresso para entrar para história. Um congresso para Mudar o PT.
*Patrick Campos tem 26 anos, é bacharel em Direito e militante do Partido dos Trabalhadores.

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