13.6.17

Assistencialismo parlamentar: limites entre o público e o privado


Você consegue imaginar a cena de um agente policial entregando sua arma e algemas à um cidadão civil e dizendo “resolva o seu problema”? Provavelmente não. Afinal, sabemos que o policial, no exercício de sua função, tem que agir conforme a lei e não transferir sua responsabilidade para o privado. Assim como sabemos que qualquer agente público que utiliza a prerrogativa do cargo para atentar contra os princípios da administração pública violando os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, incorre em crime de improbidade (Lei 8.429/92).
Nesse sentido, por qual motivo parece ter se tornado natural que parlamentares utilizem sua prerrogativa de mandatários para, ao invés de elaborar e fiscalizar o cumprimento das leis que beneficiem o total da população, atuar de forma privada direcionando sua ação para o atendimento de maneira particular das necessidades exclusivas daquelas e daqueles que por alguma razão chegam às portas de seus gabinetes?

8.5.17

O jovem prefeito que esqueceu da juventude


Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era novo jovem
Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer
Velha roupa colorida – Belchior


Eleito Prefeito de Petrolina em 2016 com 60.509 votos, o Deputado Estadual de 26 anos Miguel Coelho carregou ao longo de toda a campanha eleitoral a imagem do jovem político, que pela juventude, representaria o novo, o moderno e o diferente. Sua própria marca de Governo confirma que o jovem Prefeito concorda, pois sua gestão se propõe a construir um “Novo Tempo” para Petrolina.

Sem nenhuma dúvida a população torce pelo seu sucesso. Que ele não apenas cumpra suas promessas de campanha, mas que consiga ir além, correspondendo às expectativas de seus eleitores e surpreendendo positivamente aqueles que não lhe deram o voto. Afinal, uma vez eleito, é o Prefeito de toda a cidade.
E quem se preocupa com a cidade e deseja de alguma maneira contribuir com sua cidadania, precisa sempre fazer a sua parte, seja cobrando, seja denunciando, seja elogiando ou agindo quando necessário. É assim que deve se comportar um indivíduo na vida em sociedade. Quando muitos se ajudam, poucos precisarão ser ajudados.
É por esta razão que levantamos algumas ponderações sobre os rumos do novo governo Coelho. Pois dizem especialistas em política que os Cem primeiros dias de uma gestão revelam como ela será até o fim. Outros afirmam que são os seis primeiros meses. E ainda existem aqueles que defendem que um Governo pode mudar completamente até seu último minuto.

23.12.16

Sobre o coração

Que caixinha de surpresas melhor há que o coração?
Por mais que pensemos que sabemos o que há dentro
Ele insiste em mostrar o quanto ingênuos e pouco sábios somos


30.11.16

Ocupações, desdobramentos e desafios

[Texto escrito para Teoria e Debate, disponível em 
http://www.teoriaedebate.org.br/index.php?q=materias%2Fsociedade%2Focupacoes-desdobramentos-e-desafios]

Das diversas formas de luta conhecidas pelos trabalhadores, as ocupações têm sido o principal instrumento adotado na luta contra o golpe. Esse é um fenômeno que precisa ser analisado no detalhe, pois não se trata da ocupação de terras pelos trabalhadores do campo, na luta pela reforma agrária, ou das ocupações de prédios e terrenos urbanos pelos trabalhadores sem teto, mas da ocupação de escolas e universidades pelos filhos e filhas de muitos desses trabalhadores em defesa da educação e da saúde e contra o congelamento dos recursos pelos próximos vinte anos.
Além disso, é preciso tentar compreender, de alguma maneira, as razões que levaram essa forma de luta a tornar-se a mais consistente ação contra o governo golpista e seus ataques aos direitos da classe trabalhadora e quais os passos seguintes a serem dados.

21.11.16

Convocado o 6º Congresso do PT

Texto publicado no Blog Ponto Crítico, disponível em: 
http://pontocritico.org/18/11/2016/convocado-o-6o-congresso-do-pt/

Uma oportunidade de reorganizar o Partido, mudar sua política e organizar a resistência. 
*Por Patrick Campos

Durante os dias 10 e 11 de Novembro, em reunião do Diretório Nacional ocorrida em São Paulo, o Partido dos Trabalhadores aprovou a convocatória do seu 6º Congresso. Os Congressos e os Encontros do PT sempre foram espaços extremamente importantes para o partido e também para as organizações populares, mas certamente este terá um grau de importância singular.
Afinal, em seus mais de trinta e seis anos de existência, o PT nunca se encontrou numa situação como a de hoje. Colocado na condição de principal responsável pela crise política e econômica vivida pelo país, enfrentando cotidianamente a criminalização por meio do oligopólio da mídia e da grande imprensa, alvo das ações de perseguição política e judicial promovida por membros do aparelho de estado e partidos da direita tradicional.
O resultado, além do impeachment da Presidenta Dilma, pode ser visto no saldo eleitoral de 2016 onde o partido saiu derrotado. Mais que isso, pode ser visto no crescimento do anti-petismo e na vitória da direita. PSDB, PMDB e os partidos que trabalharam para a consolidação do golpe que conduziu Michel Temer à Presidência da República cresceram em números de prefeituras e espaços nas câmaras de vereadores por todo o país.

20.11.16

Sobre encontros e reencontros

Nada como uma amizade.
Daquelas que parecem nunca começar e nunca acabar.
Que muitas vezes sequer parecia existir, mas que o tempo se encarrega de mostrar.
Que parece que estava ali antes mesmo da gente chegar.
Nada como fazer novas amizades.
Nada como encontrar os amigos, ou também, reencontrar amizades.
Lembrar de como tudo começou.
Da primeira tatuagem feita, da primeira banda sugerida, dos primeiros poemas escritos.
Nada como sentir a força revigorante e reconfortante da companhia.
Nada como escrever sobre a maravilha de pensar em quem se gosta antes de dormir.

17.11.16

As ocupações

Disponível também em: http://www.pagina13.org.br/juventude/as-ocupacoes/#.WC2eFtIrK1s
Iniciadas como reação às medidas de limitação nos investimentos na saúde e educação com a PEC 241, tramitando no Senado agora como PEC 55 –, e também como reação à proposta de reforma do ensino médio por meio da Medida Provisória 746/2016, as ocupações estudantis de escolas por todo o Brasil caracterizam-se hoje como a mais contundente reação contra o governo golpista.
Já são mais de mil escolas ocupadas em todo o país e mais de cento e trinta Universidades e Institutos Federais. As ocupações têm resistido às investidas do governo, à criminalização pelo judiciário, à violência brutal das polícias e também as ações criminosas de grupos incentivados e mobilizados por organizações como o MBL.
Principal foco das ocupações, o estado do Paraná, governado pelo agressor de professores Beto Richa, reúne mais de oitocentas ocupações. No último dia 26 de Outubro, uma assembleia conseguiu reunir representantes de mais de seiscentas ocupações, que aprovaram uma pauta de reivindicações, que passa pela não implantação da dita “reforma do ensino médio” e pela anistia aos estudantes ocupantes. Ações semelhantes estão ocorrendo no Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Distrito Federal.
É um sinal da força desta que vem sendo chamada por muitos de “primavera estudantil”. Uma demonstração da capacidade de luta e resistência de setores populares, que muito têm a ensinar. Justamente por isso, é necessário extrairmos algumas lições deste processo.