27.7.14

Das capturas...

As vezes é a atenção,
Noutras, é o desejo e a emoção,
Mas nenhuma é quando se é o coração.

Como um pássaro na gaiola,
Ou aquele perfume fechado,
Apenas comparável, as vontades de volta.

É daquelas coisas raras
Que como todas, não esperamos
Mas que não mais as deixamos
Se a oportunidade nos for dada

Apaixonar-se é dádiva
Uma graça sem igual
Mas um dever desgraçado
Quando se acha que sabe o final!

24.7.14

Um poeta..

Conheci um poeta que se conheceu
Um daqueles sujeitos que não poderiam ser outra coisa, se não exatamente aquilo que quiser
Não fosse pelos pêlos
Seria certamente pelo que há neles
Encanto
O mesmo que se revela na voz e nas palavras não ditas, mas escritas
Nos versos ensaiados e medidos
Como aquele menino que não encontramos quando procuramos
Mas sabemos que está lá

21.7.14

Emília

Pela imagem completa dela, posso ver através do tempo muito do que já passou, e ainda mais do que está por vir.
Quando já se dorme mais do que se acorda.
Quando até mesmo as lembranças vão se perdendo e desaparecendo.
Quando as marcas deixadas na pele são as mais profundamente visíveis.
Quando os cabelos ralos e brancos se acomodam e modelam tão tranquilamente e sem mais luta.
As rugas, as mãos, a pouca e falha tentativa de fala.
Mas ela, de alguma maneira estará e sempre estará ali.
Seus olhos e o sorriso sempre se voltam quando menos esperamos, como se traquina, fizesse tudo por diversão.
Diversão merecida de quem tanto fez por tantos.
Descansa em vida.

10.7.14

Da Varanda...

O tempo passa, e sua medida já é de anos.
Nestes, os muros ficaram mais altos. Já não vemos mais a área dos vizinhos.
Muitas árvores foram podadas, outras arrancadas.
A casa da esquina virou bar, que virou video game, que virou salão, que virou lan house, que virou distribuidora de bebidas e que sabe-se qual o próximo novo nome que não conhecíamos se tornará em breve...
Os rostos das crianças, agora carregam o semblante de pequenos adultos.
Mas, como que resistindo, há ainda daquilo que havia.
O homem do beju.
A laje sem construir.
As pedras do calçamento, cada vez mais ligadas pelo cimento das reformas de final de ano.
O latino dos cachorros, que aqui não são cães.
As cadeiras na calçada, daqui a pouco, depois do sol se pôr e antes da novela começar.
Os pequenos, antes trazidos, agora trazendo os ainda menores da escola. Chegam com o colorido das fardas e das mochilas, que aqui são bolsas mesmo, e de seus sorrisos alegres de quem se livrou de mais um dia de escola.
Chega a hora do dia em que o céu brilha com um azul que se mistura a tons de amarelo e vermelho. A cor que parece encantar os passarinhos e inspirar os corações de quem sente que o tempo é um velho amigo, que se mostra da varanda de casa num fim de tarde de inverno no sertão.