14.5.11

QUANDO A ESTRADA VIRA À DIREITA, SEGUIMOS PELA ESQUERDA

QUANDO A ESTRADA VIRA À DIREITA, SEGUIMOS PELA ESQUERDA

Patrick Campos Araújo*

Os caminhos trilhados pelo movimento estudantil pernambucano são demasiadamente tortuosos. A entidade geral de representação dos estudantes universitários, UEP, é dirigida a seis anos de forma hegemônica pela União da Juventude Socialista, braço militante do PCdoB nos movimentos de juventude. A UJS mantém um arco de alianças com um conjunto de forças políticas atuantes na juventude universitária pernambucana.

Nesta aliança estão presentes diversos grupos do PT, notadamente a Democracia Socialista e a Construindo um Novo Brasil. Além dos petistas, contam com a juventude do PSB, do PTB e PPL. Como a UEP se organiza de forma proporcional, todas as forças compõem a direção, inclusive as que fazem oposição. Até o final do mês de Abril, também participava da direção da UEP, pelo campo de oposição, a União da Juventude Rebelião, juventude do Partido Comunista Revolucionário. Entretanto a UJR se retirou da diretoria, alegando a impossibilidade de diálogo com a UJS na condução dos processos eleitorais em torno do Congresso da UNE.

Para além destas, também está na diretoria da atual gestão, sob a tese RECONQUISTAR A UEP, a Juventude da Articulação de Esquerda (JAE). E é sobre o futuro deste grupo na composição da União dos Estudantes de Pernambuco, que me proponho a escrever.

A JAE, enquanto força que compõe a Juventude do PT, tem um acumulo de disputas que passa pelo movimento estudantil até instâncias internas do próprio Partido. Em Pernambuco, desde a Reconstrução da UEP em 2005, a Coordenação Estadual da JAE passou a tratar o movimento estudantil como uma de suas prioridades e com isso, a disputa da UEP passou a constar em sua pauta.

Este esforço construiu algumas vitórias nos dois primeiros congressos da entidade, como a vice presidência na gestão 2007/2009. Até aquele momento, foi mantida a avaliação de que era fundamental o fortalecimento da UEP, mesmo em desacordo com a linha política adotada pela fração majoritária da diretoria, que naquele momento se alinhava com o recém eleito Governo Eduardo Campos.

Exigia-se uma postura mais contundente do conjunto das forças frente ao novo governo, em defesa da educação pública, democrática e de qualidade. Evidência clara das diferenças existentes, deu-se na luta histórica pela Gratuidade e Autonomia da Universidade de Pernambuco. Enquanto A JAE defendia a unidade das duas bandeiras de luta, a UJS e aliados adotavam perante o governo a postura da acomodação, do adesismo governista e do pragmatismo.

A CONJUNTURA COM O GOVERNO EDUARDO CAMPOS

A eleição de Eduardo (PSB) Governador em 2006 proporcionou uma articulação dos movimentos sociais pernambucanos que se deu de formas muito diversas. Para a JAE, a prioridade era somar forças para impor uma derrota à direita de Jarbas Vasconcelos, o que naquele momento histórico, passava pela eleição de Eduardo, visto que os demais candidatos não ofereciam condições reais de derrotar o atual senador.

A JAE passou então a compor uma aliança denominada de Campo Democrático e Popular, para que dentro dos espaços dos movimentos sociais, especialmente do movimento estudantil, fortalecesse a esquerda e construísse uma alternativa socialista para as próximas disputas. Infelizmente, dentro da UEP, o funcionamento desde campo nunca ocorreu efetivamente, em uma rápida avaliação, por duas razões. Primeiro porque a UJS vinculou a pauta e a agenda da entidade ao Governo, deixando de priorizar o debate para esperar as demandas propostas pelo Palácio do Campos das Princesas. Segundo, porque não existiu uma estratégia que orientasse a ação conjunta das forças políticas, de forma que cada uma adotou sua própria tática de organização e condução da política interna. Uma aparente desorganização, mas que favoreceu a hegemonia da UJS e a imposição de sua política.

Esse movimento apenas se intensificou após a reeleição de Eduardo, justamente no momento em que o cenário criado por ele, que postula uma possível candidatura a presidência em 2014, é de alianças com os setores mais conservadores do país, haja vista o apoio dado a criação do PSD pelo prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, onde se realinham setores expressivos da direita.

O Governo Eduardo demonstra suas limitações e nós precisamos apontar alternativas de superação destas. É preciso defender o fortalecimento da esquerda socialista nos espaços de atuação da juventude universitária pernambucana, com sua maior expressão na UEP, e para tanto devemos fazer uma reavaliação da tática a ser adotada.

PENSANDO UM CAMINHO A SEGUIR

Se a estrada está virando a direita, precisamos seguir pela esquerda. O alinhamento da direção majoritária da UEP com uma pauta política que não vem da base real das universidades, mas sim da agenda de um governo que caminha ainda mais para a direita, seguida de sua indisposição de diálogo com alguns setores da oposição, cria um clima de grande instabilidade na rede do movimento estudantil. Com a aproximação do Congresso da UEP, as forças políticas precisam tomar posições que demonstrem claramente o que pretendem para a próxima gestão.

É evidente a opção que determinadas forças devem adotar, compondo a aliança construída pela UJS para manter ao menos uma existência institucional dentro da entidade. A JAE não pode compartilhar desse mesmo pensamento, primeiro porque a existência das forças comprovasse na disputa e construção da base, não no simples acordo. Segundo, porque mesmo que haja alguma convergência, não pode ser válida uma aliança tática que contrarie e comprometa a o exito da estratégia. Cada força precisa admitir e reconhecer seu tamanho real, e assumir as consequências deste reconhecimento.

A Juventude da Articulação de Esquerda vêm discutindo diariamente com o conjunto dos estudantes que se organizam ou tem referência em sua organização, sobre o papel ela cumpre dentro da UEP e do ME pernambucano. É preciso reconhecer que foi fundamental para o amadurecimento e fortalecimento enquanto força política, sua participação nas gestões da UEP desde a reconstrução. Principalmente porque se conseguiu contribuir, dentro das possibilidades dadas, com este seguimento do movimento social no Estado de Pernambuco.

Agora é chegada a hora de tentar avançar ainda mais. Precisa-se construir e apresentar uma alternativa verdadeira, com capacidade real de disputa e de vitória para a esquerda socialista universitária pernambucana. Nesse sentindo, discutir em curto prazo e mudar a médio e longo prazo a linha política da União dos Estudantes de Pernambuco é a tarefa que deve ser adotada. Todavia, se isso for feito com a atual composição da entidade, será um esforço em vão, pois o pragmatismo da atual maioria inviabiliza qualquer possibilidade de sucesso.

Com essa perspectiva, deve ser apoiada a realização de um Encontro Estadual de Entidades de Base de Pernambuco, visto que um fórum desde porte, livre de tensões e pretensões eleitorais, pode contribuir para aprofundar debates, construir convergências e avançar ainda mais no sentido de consolidar uma diretriz política articulada com a luta geral e real do ME em nosso Estado.

Neste momento de intensa disputa envolvendo todas as forças políticas em torno do Congresso da UNE e da UEP, a JAE deve fazer a disputa política apenas onde lhe parecer possível. A consolidação de uma esquerda socialista no movimento estudantil pernambucano, orientada pelo marxismo leninismo, deve ser o horizonte. Até lá, deve-se observar até onde a estrada chegará.

* Patrick Campos Araújo é estudante de Direito e militante da Juventude da Articulação de Esquerda de Pernambuco.

24.4.11

SAUDADE.

SAUDADE.

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:

aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.



O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.


Pablo Neruda

31.3.11

Sobre a UEP e o Movimento Estudantil

A União dos Estudantes de Pernambuco - UEP, é a entidade que representa todos os estudantes universitários do Estado de Pernambuco. Existe há 65 anos, e tem o nome de Cândido Pinto.

Dito dessa forma, deve ficar a pergunta, mas para que serve a UEP? E o que ela faz?

Historicamente a UEP foi a grande responsável pelas conquistas que o Movimento Estudantil alcançou em Pernambuco. Ela serve para construir e representar as entidades de base de cada curso, de cada faculdade, e de cada universidade pernambucana. Fazendo com que os estudantes se organizem em CAs, DAs e DCEs e dessa forma façam a luta política no dia-a-dia da sua vida acadêmica.

Sabemos que ser estudante não é tarefa fácil. Além de muitos de nós terem que estudar na maioria das vezes em insituições que não oferecem um ensino de qualidade, que não têm estrutura física, e nem um quadro de professores qualificados, ainda precisamos trabalhar, enfrentar problemas familiares, cobranças, relacionamentos, e claro, nos divertir!

É na luta diaria pela melhoria da nossa vida enquanto estudantes que o Movimento Estudantil cumpre seu papel. Nos aproximando de outros estudantes, nos dando força enquanto coletivo, fazendo com que tenhamos a capacidade de melhorar cada vez mais nossos cursos, faculdades e universidades, que são o principal espaço de convivência e formação nessa fase de nossas vidas. É por essa razão que entidades como a UEP são tão importantes. São elas que nos colocam nas ruas, nas passeatas, no frente a frente com prefeitos, governadores, reitores, ampliando nossas vozes e nos fazendo ser ouvidos.

Em breve viveremos mais um momento decisivo na história da UEP. Como acontece a cada dois anos, a entidade realizará o seu Congresso, que é um espaço de reunião de todos os estudantes universitários de Pernambuco para discutir e decidir os rumos da entidade nos próximos dois anos. É nesse sentido que o debate em torno do que queremos para a UEP e para o Movimento Estudantil pernambucano ganha proporção.

Vivemos um momento onde o ensino superior se expandiu para além da capacidade de regulação direta e real do Estado. Temos em 2011 além de Universidades Federais e Estaduais, as Autarquias Municipais, as Particulares e Faculdades de Ensino a Distância. As vagas no ensino superior aumentaram, e com elas aumentaram também os problemas enfrentados pelos estudantes.

Em Pernambuco existem 3 Universidades Federais, UFPE, UFRPE e UNIVASF, além dos IEFS (antigos CEFETS), que passam por problemas estruturais históricos. Nos casos da UFPE e da UFRPE a implantação do REUNI (Programa de Reforma e Reestruturação das Federais) ainda é um problema a ser solucinado, em especial no que tange a assistência estudantil e os programas de bolsas de pesquisa. Na UNIVASF os estudantes lutam a desde sua criação pela implantação do Restaurante Universitário com preço acessível, pelo aumento da quantidade de bolsas permanencia e a conclusão das obras de vários prédios, como no Campus de Juazeiro.

O caso da UPE é emblemático! Depois de mais de 15 anos pagando mesalidades em uma Universidade Pública, com muita luta dos estudantes, deixamos de ter a única Universidade Pública que era paga em todo o Brasil. Mas infelizmente a Universidade ainda sobre com a falta de autonomia financeira, tendo seus recursos geridos por uma fundação privada. Além dos problemas enfrentados pelos campus do interior, onde a falta de professores, de laboratórios, de bibliotecas e em alguns casos até mesmo de prédios, fazem com que o Movimento Estudantil tenha uma importância diferencial.

As Autarquias Municipais representam um dos grandes problemas das médias cidades. Primeiro porque todas cobram mensalidades, altas taxas que tem superado até mesmo as das Faculdades Particulares. É o caso da FACAPE em Petrolina, da AESA em Arco Verde e da AEDS em Salgueiro. Funcionam como instituições privadas, na lógica mercadológica, se afastando muito do modelo de universidade pública que desejamos.

Lidamos também com as instituições de Ensino a Distância, que a cada dia ganha mais espaço na realidade do nosso ensino superior. Os problemas das EADs estão diretamente ligados a base do conceito de Universidade, que é o Ensino, a Pesquisa e a Extensão. Quase nenhuma destas instituições consegue dar conta se quer do ensino, oferencendo cursos de baixa qualidade e formação deficiente. Uma realidade que os estudantes das EADs sabem bem que precisa mudar.

Com essa rápida análise do cenário que nos está colocado, fica evidente a necessidade do Movimento Estudantil tomar muitas providências. O Congresso da UEP sera apenas o começo de um processo que nós precisamos liderar. Um processo de transformação, baseado na luta, na disputa política, na organização dos coletivos de base e na disciplina militante.

Se desejamos viver essa fase de nossas vidas em sua plenitude, em busca da formação educacional e política que julgamos ideais, precisamos nos organizar, precisamos lutar.

Vamos para a luta!

26.3.11

À Um amigo...

As vezes uma vontade icontrolável de sair deste mundo maluco toma conta da gente.
Esse turbilhão de pessoas, sentimentos, acontecimentos... é tanta coisa, e nenhuma razão para elas serem o que são.
A quatro anos companheiro, você se livrou disso daqui...
A quatro anos companheiro, eu fiquei mais só nisso aqui...
Você faz falta.
Saiba!

9.1.11

Em Cochabamba

Mudança nos planos, nao fiquei em La Paz como previsto.
Conheci uma menina chamada Nataly, ela foi deixar sua irma que é freira em La Paz e ficou na mesma igreja onde eu estava. Como ela mora em Cochabamba, pedi para vir com ela até aqui, ela aceitou e cá estou.
Chegamos cedo 05:30, depois de sete horas num onibus que nos custou apenas 25Bs (R$5,00).
Por ser domingo e a cidade estar muito cheia, visto que também sao férias, nao encontramos vagas nos hoteis e albergues proximos a rodoviaria. Por isso ficamos numa pousada um pouco mais distante, que custou 60Bs.
Nataly foi para a casa dela e voltou por volta das 10:30.
Primeiro fomos ao El Prado uma Praça muito bonita no centro da cidade. No fim do El Prado fica a Parça das Bandeiras, onde se encontram bandeiras de diversos paises. compramos alguns presentes e seguimos para o Cristo. Cochabamba possui um enorme cristo, semelhante aos nossos de corumbá e do rio, esse aqui tem por volta de 40m de altura, e fica no alto de uma serra, onde se tem a vista de toda a cidade.
Voltamos para o alojamento para pegar as coisas e agora estou numa Lan em frente ao terminal rodoviário, comprei uma passagem para voltar a Santa cruz, porque tem um trem amanha para Puerto Quijarro as 16:00.
Continuo sem poder colocar os vídeos.

Abraços.

7.1.11

Em La Paz

Cheguei a cidade de El Alto, a mais alta do mundo! 4.200 m acima do nível do mar.
Um friiio monstruoso.
Nunca passei tanto frio em minha vida!
Passei uma noite (dia 03, quarta-feira) em Sandra cruz de la Sierra, no onibus fiz alguns amigos e decidi seguir viagem com um deles até La Paz. O nome dele é Pedro, um senhor Colombiano que está mochilando também desde o Natal.
Quando estavamos chegando aqui na cidade de el Alto, que fica ao lado de La Paz, Pedro me conta que ele é um Padre!!!!
Ele é uma figura, e me trouxe para o alojamento da Igreja, que é do grupo Salesianas.
Aqui conheci a irma Virginia, outra figura fantastica.
Fico aqui ate domingo, quando volto a santa cruz para pegar um trem até Puerto Quijarro, fronteira com o Brasil.
Infelizmente a internet aqui da Lan House nao tem muita velocidade para carregar os videos,entao vou ficar devendo.
Por enquanto é isso.

Abracos.