23.4.14

Do simples gostar... Ou, Poema para Cinara...

Talvez engane ao primeiro olhar.
Como o pequeno frasco do melhor perfume.
Ou como a semente antes de germinar.
Mas como estes, basta a curiosidade ou o tempo para que nenhum engano possa perdurar.

Talvez ela há muito já tivesse certeza.
Certeza que por tanto a fez acreditar.
Certeza que não a deixou desistir nem "olvidar".
Uma certeza hoje compartilhada, com aquele que por vezes se fez duvidar.

Mas as paixões tem dessas coisas.
Um não sei o que de duvida e certeza que nunca deixam de passar.
Que se reviram no estômago a cada novo raiar.
E que mesmo assim, apenas fazem com que não consigamos parar.

E este velho e bom amigo chamado tempo,
Que quando intimo senta em nosso sofá e se põe a conversar,
É quem nos mostra, quando menos estamos por esperar,
Que em nosso coração foi ocupado um lugar.

E se não fosse também as distancias,
Aquelas malditas e infinitas que se estendem no ar,
Talvez nunca soubéssemos o quanto precisamos,
Um do outro para tanto sorrir e cantar.

E como o fim de todo poema medíocre,
Escrito por quem nem sabe rimar,
O que resta é a verdadeira vontade,
Daquele que está descobrindo como é o simples gostar.