15.3.15

Das urnas às ruas, novamente!

*Patrick Campos
 
Uma guerra é vencida quando o inimigo é derrotado, reconhece sua derrota e não possui mais condições de reagir. Ao longo do seu curso, muitas batalhas podem ser travadas e cada uma delas pode ou não ser decisiva para o desfecho do conflito.
Desde o ano de 2002 à esquerda e o campo progressista brasileiro vêm obtendo vitórias nas batalhas eleitorais pela Presidência da República. Avançamos sobre o território inimigo e desde e então, travamos as lutas neste ambiente que por muito permaneceu desconhecido.
A última grande batalha travada foi pela reeleição da presidenta Dilma. Em 26 de Outubro a classe trabalhadora brasileira saiu novamente vitoriosa nas urnas. Para tanto, foi preciso primeiro garantir esta vitória nas ruas, através de muita mobilização, enfrentamento e luta contra o adversário.
Nesta batalha estiveram em disputa dois diferentes projetos de sociedade. De um lado o projeto neoliberal, do capital financeiro, das privatizações, da impunidade e da corrupção que marcam o programa e a trajetória do PDSB. Do outro lado estava o programa Democrático e Popular, do desenvolvimentismo, dos programas sociais e da valorização do trabalho que são características do Partido dos Trabalhadores.
Esta foi a eleição mais difícil disputada pelos trabalhadores do Brasil desde 1989. As razões são diversas, mas destacam-se entre elas o fato da direita ter aumentando sua violência e agressividade, principalmente por meio da difusão do “antipetismo” através de suas emissoras de TV, suas revistas e jornais; o fato de setores importantes da classe trabalhadora que ampliaram sua capacidade de consumo ao longo dos últimos doze anos terem sido cooptadas pela tese da “alternância”; mas também o fato do primeiro governo Dilma não ter conseguido realizar algumas das Reformas estruturais decisivas para que se possa continuar transformando o país.
Podemos, portanto afirmar que vencemos uma das mais importantes batalhas, que foi a eleição para a Presidência. Mas quando imaginávamos que entraríamos numa fase do combate pela construção de um segundo governo Dilma superior ao primeiro, somos pegos por um injustificável recuo de nossas tropas no exato momento que deveria ocorrer a maior ofensiva.
Vencemos a batalha das urnas para, como passo seguinte, neutralizarmos as forças inimigas implantando nosso programa vitorioso. Todavia, uma tática completamente distinta foi adotada.
O ajuste fiscal do Ministro Levy e as MPs 664 e 665 não são atitudes de quem acredita ter vencido, pois fazem parte do programa dos derrotados e rechaçado nas urnas e nas ruas. Sabíamos que mesmo vencendo a batalha das urnas, nossos inimigos seguiriam firmes em todos os demais territórios, do Poder Judiciário, do Legislativo e da Mídia.
Exatamente por isso a orientação às tropas deveria ser de avanço sobre estes outros territórios. E esta orientação não poderia ser dada de outra maneira que não pelo Governo apresentando as Reformas Estruturais de Base.
Sabíamos que esta guerra ainda seria marcada por muitas outras batalhas, nas quais não poderíamos perder território e muito menos ficar na defensiva no momento em que o inimigo prepara novos ataques.
Por isso apontávamos como imprescindível que o segundo governo tivesse inicio com uma profunda Reforma Política, que acabe com financiamento empresarial das campanhas e que seja realizada por meio de uma Assembléia Nacional Constituinte exclusiva e soberana.
Um segundo governo que promova a democratização das comunicações, pondo fim ao Oligopólio da Mídia. Por tanto, um governo que reúna condições para aprovar a Lei da Mídia Democrática.
Um segundo governo que siga expandido o ensino superior, que amplie ainda mais os investimentos no ensino básico e que promova uma Reforma do Ensino Médio e no currículo escolar.
Um segundo governo com capacidade de realizar a tão necessária Reforma Agrária, que ponha fim aos latifúndios e garanta o acesso à terra e as condições de produção aos pequenos produtores, indígenas e demais populações tradicionais do campo.
Um segundo governo que garanta os 10% da receita bruta para o SUS. Os 10% do PIB para a educação. Que reduza para 40 horas a jornada de trabalho sem reduzir os salários.
Enfim, um segundo governo superior ao primeiro. Que tenha atenção especial para a juventude, reconhecendo que o que nós precisamos é de oportunidades de estudo e emprego e não de presídios e de redução da idade penal.
A derrubada do Decreto que instituía a Política Nacional de Participação Social logo no início foi uma demonstração de como serão as ações do Legislativo, consolidada com a eleição de Eduardo Cunha e Renan Calheiros presidentes das duas casas. A investida contra a Petrobrás, a sanha do Anti-petismo e as movimentações por impeachment que fará a Direita levar às ruas no próximo dia 15 frações da classe trabalhadora devem ser compreendidas como o fim da tática de recuo.
A batalha das urnas chegou ao fim, mas a batalha pelos rumos do Governo, da Petrobrás, da democracia e dos direitos da classe trabalhadora está apenas começando e neste dia 13 de Março ela começa nas ruas de todo o país.
 
* Patrick Campos é diretor da União Nacional dos Estudantes e militante do PT.

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