4.10.16

Sobre o resultado eleitoral do PT nas eleições municipais em Petrolina

1. Em Janeiro deste ano escrevemos e fizemos circular um pequeno Plano de Trabalho para o Partido dos Trabalhadores de Petrolina, nele dizíamos que as “eleições municipais de 2016 seriam decisivas para a vida política e eleitoral do Partido dos Trabalhadores. Por um lado, porque seria o momento de enfrentar os golpistas nas urnas, mensurando o impacto dos ataques da grande mídia, do judiciário e do empresariado no capital eleitoral do PT. Por outro, seria a chance de travar o debate político com os setores da classe trabalhadora que foram as urnas em 2014 defender o projeto petista, que viram frustradas suas expectativas ao longo de todo o ano de 2015 e que esperam uma profunda mudança no governo federal e nas atitudes do PT, principalmente em suas cidades em 2016”.

2. Dizíamos também que seria “imprescindível que o Partido apresentasse candidaturas para a prefeitura e Câmara de Vereadores capazes de fazer o enfrentamento aos golpistas e defender o partido, representando as aspirações e desejos de mudança que os setores da classe trabalhadora querem”.

3. Apresentamos o cenário de que “em Petrolina, a situação do Partido é delicada. Em 2012 a chapa PT-PPS obteve 13.651 votos, numa eleição em que o coeficiente eleitoral foi de 7.498 votos. Sendo que destes apenas quatro candidatos obtiveram votação superior a mil votos, enquanto nenhum outro ultrapassou os 400 votos. O partido ficou em quinto lugar na votação proporcional e terceiro na votação majoritária com 29.506 votos, de um universo 143.513 votos válidos”.


4. Afirmamos que devido “as mudanças no cenário político que colocam o PT no momento mais difícil de sua história, o partido não pode desperdiçar a oportunidade de fazer o debate político colocando uma candidatura com condições e viabilidade eleitoral como é o caso de Petrolina”.

5. Passada a votação, podemos acreditar que nosso diagnostico se confirmou, mas que infelizmente ele não foi suficiente para nos preparar.

6. Colocando os pesos na balança, identificamos de imediato que: Nosso candidato a prefeito obteve uma votação superior a de 2012, crescendo cerca de dez mil votos e conseguimos manter as duas vagas na câmara de vereadores.

7. No entanto, o partido obteve um desempenho eleitoral inferior a 2012. Mesmo com uma chapa com quatro partidos (dois a mais que na última eleição), obtivemos 9.359 votos na coligação, uma diminuição de mais de quatro mil votos.

Soma-se a esta preocupante redução geral o fato de que nenhum candidato do partido conseguiu crescer, apenas repetir ou em sua maioria (como foi o caso dos que estavam no exercício de mandatos) diminuir.

8. É evidente que esta não foi uma tendência apenas local. O PT sai menor das eleições municipais de 2016. Para ajudar no entendimento e reflexão dos motivos que nos conduziram a este momento, recomendamos a leitura do texto “Sobre Epitáfios”, disponível em: http://www.pagina13.org.br/eleicoes-2/sobre-os-epitafios/

9. Sobre o papel e a tarefa dos militantes da Articulação de Esquerda em Petrolina, afirmamos no Plano de Trabalho que deveríamos “Utilizar o espaço na direção municipal do Partido para apresentar a linha política, reafirmando a importância de mudança na estratégia partidária e de defesa de candidatura própria do partido à prefeitura; Definir uma agenda de reuniões e atividades com os militantes orgânicos, e plenárias ampliadas com convidados ligados ou com referencia na tendência para preparar o grupo para a tarefa eleitoral; Apresentar uma candidatura à Câmara de Vereadores que representasse a linha política da tendência; que contribua na organização da AE em Petrolina; que faça a defesa política do PT no município; e que contribua com a campanha majoritária do Partido”.

10. Parece-nos que as tarefas foram cumpridas. Ocupamos os espaços da direção do Partido, com destaque para a tarefa de organização e elaboração do programa de governo para as eleições; reorganizamos um núcleo militante (ainda não dirigente); apresentamos uma candidatura que preocupou-se em apresentar a linha política da tendência; e contribuímos na campanha majoritária naquilo que nos foi possível.

11. Vale destacar o fato de o resultado eleitoral ter sido, dentro do possível, positivo para a esquerda do partido. As duas candidaturas ideologicamente identificadas com a esquerda petista obtiveram, no somatório, mais votos que a candidatura do campo moderado.

12. Claro que esta leitura não pode ser aplicada ao conjunto dos candidatos que disputaram a eleição pelo PT, pois em sua maioria não se identificam ou não se organizam em nenhuma tendência ou campo no Partido.

13. Por fim, vale destacar a necessidade da direção municipal do Partido realizar uma profunda autocrítica. O Partido precisa refletir sobre seus rumos na cidade. O protagonismo partidário nas frentes de luta não pode significar um protagonismo parlamentar, como por vezes nos parece ser a compreensão da maioria.

14. A direção municipal precisa ser renovada, os setoriais do partido postos em funcionamento e a ação dos parlamentares, dirigentes e militantes precisam ser definidas nas instâncias do Partido.

15. Que tenhamos em breve uma reunião do diretório para um balanço do processo eleitoral e que publiquemos uma circular de orientação à militância juntamente a uma nota de conjuntura que explicite que o Partido dos Trabalhadores inicia imediatamente sua oposição ao futuro governo Miguel/Fernando Bezerra Coelho.

16. Abraçando firme as companheiras e companheiros, com uma saudação especial ao companheiro Gilmar, a companheira Cristina Costa e ao companheiro Odacy.


Patrick Campos Araújo
Militante da Juventude do PT e da tendência petista Articulação de Esquerda

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