18.9.13

Pelo fim da lista de presença

Precisamos ousar. Não podemos aguardar a escola mudar, para fazer as transformações que queremos. Precisamos fazer as transformações que queremos, para a escola mudar. A lista de presença é um meio coercitivo, opressor e antidemocrático de garantir a presença de estudantes em salas de aula. A liberdade de participação nas classes precisa ser compreendida como um princípio fundamental do aprendizado, uma vez que os indivíduos são livres para aprender, conhecer e experimentar. O direito a experimentação e ao conhecimento para além das paredes da sala de aula, deve ser garantido e assegurado, não punido. A lista de presença cumpre papeis distintos de acordo com nível de educação, se escolar ou universitário e também se público ou privado.
Nas escolas, a lista de presença serve como segurança meramente jurídica e controle de onde o jovem ou a jovem esteve durante determinado período. Esta segurança e este controle atende unicamente os interesses daqueles que pretendem manter os estudantes encarcerados e sob vigilância constante, por enxergar nestes perigos em potencial para si e em especial para a sociedade.
Já na Universidade, o papel da ficha de presença é coercitivo, sendo o meio de obrigar os estudantes a participarem de todos os tipos de aulas, como se a mera estadia na cadeira da sala significasse aprendizado. Esta ideia está assentada na concepção de educação positivista e bancária, que não acredita em outras formas de aprendizado além do velho e arcaico esquema de quadro/professor cadeira/aluno.
Estas duas lógicas tornam-se ainda mais cruéis nas instituições privadas de ensino. Nestas a lista de presença é utilizada como instrumento de chantagem com os estudantes. Os pricipais afetados são os trabalhadores e estudantes de cursos noturnos, que por razões das mais diversas como trabalho, família ou difícil acesso ao transporte coletivo, padecem por longos períodos e anos desembolsando fortunas que não possuem, para pagar disciplinas que “perderam por falta”.
Dessa maneira, a continuidade da lista de presença é um empecilho ao desenvolvimento de novas formas de ensino, aprendizado e produção de conhecimento, e cumpre um papel devastador na vida de milhões de estudantes obrigados a assistir aulas que não querem e serem reprovados por não conseguirem resistir a estas ou por não chegarem as instituições.
A luta por este modelo deve ser compreendida como tarefa da mais alta importância para o movimento estudantil, pois representa a quebra dos grilhões que aprisionam o potencial criativo, inventivo e inovador de várias gerações. Mas cabe também ao M.E., a reflexão e proposição de novas formas que superem o controle prisional das listas de presença e ao mesmo tempo garantam que esta mudança melhore e não piore a relação dos estudantes com o estudo e a produção do conhecimento.

Neste sentido, devemos retomar com ainda mais força a bandeira da Revolução Pedagógica, que, no que diz respeito ao fim da lista de presença, apresente novas formas de produção e acompanhamento do desenvolvimento no aprendizado dos estudantes, como a pesquisa no ensino médio e a avaliação livre ou auto avaliação, modelos que a cada dia demonstram mais e mais a sua eficiência na vida acadêmica e escolar daqueles que já aplicam estes modelos.

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