Precisamos
ousar. Não podemos aguardar a escola mudar, para fazer as transformações que
queremos. Precisamos fazer as transformações que queremos, para a escola mudar.
A lista de presença é um meio coercitivo, opressor e antidemocrático de
garantir a presença de estudantes em salas de aula. A liberdade de participação
nas classes precisa ser compreendida como um princípio fundamental do
aprendizado, uma vez que os indivíduos são livres para aprender, conhecer e
experimentar. O direito a experimentação e ao conhecimento para além das
paredes da sala de aula, deve ser garantido e assegurado, não punido. A lista
de presença cumpre papeis distintos de acordo com nível de educação, se escolar
ou universitário e também se público ou privado.
Nas
escolas, a lista de presença serve como segurança meramente jurídica e controle
de onde o jovem ou a jovem esteve durante determinado período. Esta segurança e
este controle atende unicamente os interesses daqueles que pretendem manter os
estudantes encarcerados e sob vigilância constante, por enxergar nestes perigos
em potencial para si e em especial para a sociedade.
Estas
duas lógicas tornam-se ainda mais cruéis nas instituições privadas de ensino.
Nestas a lista de presença é utilizada como instrumento de chantagem com os
estudantes. Os pricipais afetados são os trabalhadores e estudantes de cursos
noturnos, que por razões das mais diversas como trabalho, família ou difícil
acesso ao transporte coletivo, padecem por longos períodos e anos desembolsando
fortunas que não possuem, para pagar disciplinas que “perderam por falta”.
Dessa
maneira, a continuidade da lista de presença é um empecilho ao desenvolvimento
de novas formas de ensino, aprendizado e produção de conhecimento, e cumpre um
papel devastador na vida de milhões de estudantes obrigados a assistir aulas
que não querem e serem reprovados por não conseguirem resistir a estas ou por
não chegarem as instituições.
A
luta por este modelo deve ser compreendida como tarefa da mais alta importância
para o movimento estudantil, pois representa a quebra dos grilhões que
aprisionam o potencial criativo, inventivo e inovador de várias gerações. Mas
cabe também ao M.E., a reflexão e proposição de novas formas que superem o
controle prisional das listas de presença e ao mesmo tempo garantam que esta
mudança melhore e não piore a relação dos estudantes com o estudo e a produção
do conhecimento.
Neste
sentido, devemos retomar com ainda mais força a bandeira da Revolução
Pedagógica, que, no que diz respeito ao fim da lista de presença, apresente
novas formas de produção e acompanhamento do desenvolvimento no aprendizado dos
estudantes, como a pesquisa no ensino médio e a avaliação livre ou auto
avaliação, modelos que a cada dia demonstram mais e mais a sua eficiência na
vida acadêmica e escolar daqueles que já aplicam estes modelos.
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