6.8.14

Das descobertas

Descobri um Amor. E ele tem asas...
Já o tinha avistado ao longe algumas poucas vezes. O via voando por entre as nuvens, as vezes nas copas das árvores e não raras vezes, em bando...
Mas nunca o tinha visto tão de perto. Nunca havia conseguido contempla-lo com tanta proximidade.
É que parece que ele pousou.
Certamente não pelo cansaço, mas por ter encontrando um cantinho com tudo o que ele precisa para descansar um pouco.
É uma casinha linda.
A dona, tem alimentado seu novo hospede com tanto carinho, que não será de admirar que em breve haja quem sabe um ninho...
Ele não deixou de ter asas. Sabe que pode sair voando por aí quando quiser.
Mas por hora, e com o desejo de que estas sejam muitas, é ali que ele quer ficar.

27.7.14

Das capturas...

As vezes é a atenção,
Noutras, é o desejo e a emoção,
Mas nenhuma é quando se é o coração.

Como um pássaro na gaiola,
Ou aquele perfume fechado,
Apenas comparável, as vontades de volta.

É daquelas coisas raras
Que como todas, não esperamos
Mas que não mais as deixamos
Se a oportunidade nos for dada

Apaixonar-se é dádiva
Uma graça sem igual
Mas um dever desgraçado
Quando se acha que sabe o final!

24.7.14

Um poeta..

Conheci um poeta que se conheceu
Um daqueles sujeitos que não poderiam ser outra coisa, se não exatamente aquilo que quiser
Não fosse pelos pêlos
Seria certamente pelo que há neles
Encanto
O mesmo que se revela na voz e nas palavras não ditas, mas escritas
Nos versos ensaiados e medidos
Como aquele menino que não encontramos quando procuramos
Mas sabemos que está lá

21.7.14

Emília

Pela imagem completa dela, posso ver através do tempo muito do que já passou, e ainda mais do que está por vir.
Quando já se dorme mais do que se acorda.
Quando até mesmo as lembranças vão se perdendo e desaparecendo.
Quando as marcas deixadas na pele são as mais profundamente visíveis.
Quando os cabelos ralos e brancos se acomodam e modelam tão tranquilamente e sem mais luta.
As rugas, as mãos, a pouca e falha tentativa de fala.
Mas ela, de alguma maneira estará e sempre estará ali.
Seus olhos e o sorriso sempre se voltam quando menos esperamos, como se traquina, fizesse tudo por diversão.
Diversão merecida de quem tanto fez por tantos.
Descansa em vida.

10.7.14

Da Varanda...

O tempo passa, e sua medida já é de anos.
Nestes, os muros ficaram mais altos. Já não vemos mais a área dos vizinhos.
Muitas árvores foram podadas, outras arrancadas.
A casa da esquina virou bar, que virou video game, que virou salão, que virou lan house, que virou distribuidora de bebidas e que sabe-se qual o próximo novo nome que não conhecíamos se tornará em breve...
Os rostos das crianças, agora carregam o semblante de pequenos adultos.
Mas, como que resistindo, há ainda daquilo que havia.
O homem do beju.
A laje sem construir.
As pedras do calçamento, cada vez mais ligadas pelo cimento das reformas de final de ano.
O latino dos cachorros, que aqui não são cães.
As cadeiras na calçada, daqui a pouco, depois do sol se pôr e antes da novela começar.
Os pequenos, antes trazidos, agora trazendo os ainda menores da escola. Chegam com o colorido das fardas e das mochilas, que aqui são bolsas mesmo, e de seus sorrisos alegres de quem se livrou de mais um dia de escola.
Chega a hora do dia em que o céu brilha com um azul que se mistura a tons de amarelo e vermelho. A cor que parece encantar os passarinhos e inspirar os corações de quem sente que o tempo é um velho amigo, que se mostra da varanda de casa num fim de tarde de inverno no sertão.

13.6.14

Democracia e participação no PNDH3

[artigo iniciado em Agosto de 2010 (não concluído), encontrado por acaso numa varredura de troca de e-mails com Matheus Ricarte]

Patrick Campos Araújo

            Ao assumir o cargo de Supremo Chanceler da República, o Senador Palpatine  disse que aceitaria a tarefa com muito pesar, pois amava a democracia, e infelizmente teria que suprimi-la para conseguir restituir a Paz e a Ordem na Galaxia. A concepção de democracia do Lorde Sith, e os meios utilizados para alcançar sua dita Paz, culminaram com a criação do primeiro Império Galáctico.   
            Palpatine não cometeu nenhum erro conceitual, pelo contrário, sabia muito bem o que dizia, pois o momento histórico vivido pela Republica revelava as limitações da democracia representativa do Senado. Este era incapaz de combater o quadro de desigualdades existente. Os maiores dominavam e exploravam os menores, sem pudor e sem tolerância, tutelados pela legislação comercial. A democracia portanto, era uma farsa alimentada pelos detentores do poder.
            O exemplo fictício trazido pelo filme Guerra nas Estrelas, convoca uma reflexão profunda a respeito do funcionamento das formas de Democracia e as limitações estas possuem. Pois, se democracia é a plenitude do exercício de Direitos, como um Estado Democrático de Direito, erguido sob o prisma do respeito aos Direitos Humanos, pode conceber o quadro de desigualdades que neste momento vive o Brasil?
            O paragrafo único do Art.1º da Constituição Federal de 1988 diz que “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente...”.
            Fábio Konder Comparato, renomado jurista brasileiro, em entrevista concedida à revista Fórum na edição de Julho de 2010, diz que:

“ a democracia direta é uma farsa no Brasil. O artigo 14 da Constituição Federal de 1988 diz que o plebiscito e o referendo são manifestações da soberania popular, mas o povo só tem direito de se manifestar em plebiscitos e referendos mediante autorização e convocação do Congresso Nacional. [...] Nós criamos uma figura de mandato única no mundo, em que o mandante só pode se manifestar se o mandatário lhe der autorização”.
           
            Para o funcionamento pleno de um Estado Democrático de Direito, o respeito aos Direitos Humanos é algo fundamental, sendo o direito a vida, a liberdade, a igualdade e a dignidade elementares para a vida nessa sociedade.
            O problema é que mesmo garantidos constitucionalmente, o exercício destes e de tantos outros direitos, é um privilégio que apenas alguns podem gozar. Conseqüência da vida em uma sociedade de classe, orientada pela lógica da economia de mercado e do sistema do capital, que criam o quadro de desigualdades responsável pelo agravamento das limitações do sistema democrático.
            Não é possível falar na existência de um sistema democrático que tenha eficácia, com o quadro de desigualdade social existente. Quando não existe a possibilidade do exercício pleno de direitos, não havendo condições de escolhas iguais para todos, a democracia torna-se apenas uma bela palavra que pouco traduz de real.
            Para a reversão deste quadro, o caminho passa sem dúvida, pelo fortalecimento da democracia participativa. Com o aumento dos instrumentos de participação direta, capazes de ampliar a interação democrática entre o Estado e a Sociedade Civil.
            É exatamente sobre a criação destes mecanismos, no contexto de discussão de Democracia e Direitos Humanos, que insurgem as Diretrizes do Plano Nacional de Direitos Humanos 3.

O Plano

            O PNDH 3, como ficou conhecido o plano, foi veiculado pelo Decreto nº 7.037/09, após ter obtido suas principais diretrizes na XI Conferência Nacional de Direitos Humanos, ocorrida em dezembro de 2008. Nesse momento encontra-se pronto para o debate no Congresso Nacional, que deve apreciá-lo e transformar em lei aquelas proposições que forem consideradas mais importantes pelos parlamentares.
            O Plano está recheado de temas considerados polêmicos no que diz respeito a direitos sociais e individuais. Organizado em forma de objetivos estratégicos e propositivos, seu objetivo é “dar continuidade à integração e ao aprimoramento dos mecanismos de participação existentes, bem como criar novos meios de construção e monitoramento das políticas públicas sobre Direitos Humanos no Brasil”, como diz seu próprio texto de apresentação.
            Pela forma de abordagem e pelos assuntos que trata, o PNDH 3 está sendo alvo de pesadas críticas por parte dos grupos mais reacionários e conservadores do Brasil, que se expressam através dos principais meios de comunicação do país.    
            Interessante o comentário da Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, a deputada Iriny Lopes, quando afirma que:

“ Os detratores do PNDH 3 queixam-se até mesmo de supostas ameaças à liberdade de imprensa e de expressão contidas no documento. Curioso notar que estas ameaças – e as demais “arbitrariedades” do PNDH 3, tais como a acusação de que o Congresso Nacional teria suas funções suplantadas pelo programa – são vocalizadas em editoriais, reportagens e comentários nos maiores jornais, revistas, rádios e televisões, sem que o contraponto equivalente seja garantido. Ou seja, aos opositores do PNDH 3, todo espaço é garantido de antemão e com o máximo de destaque. Aos seus defensores, são oferecidas as migalhas: uma frase isolada e pouco significativa no meio de uma reportagem editorializada, um artigo de opinião favorável diante de dezenas contrárias (muitas vezes virulentas), alguns poucos segundos antes do final  - confirmados da opinião negativa – da matéria ou comentário televisivo ou radiofônico etc. Afinal, qual o conceito de liberdade de expressão adotado pelos donos da mídia e seus porta-vozes?”. LOPES, Iriny. Revista Visão Jurídica, Editora Escala, nº 50.

            Fica claro, portanto, a necessidade de aprofundar a discussão, no que diz respeito as proposições trazidas pelo Plano, especialmente para contribuir no processo de esclarecimento da população, em contraponto ao processo de desinformação proporcionado pela grande mídia.
            Vamos então nos ater as ações programáticas definidas no objetivo estratégico número 1, que visa a “garantia de participação e do controle social das políticas públicas de  Direitos Humanos, em diálogo plural e transversal entre os vários atores sociais”.

Propostas da Diretriz nº 1

            As quatro primeiras propostas apresentadas formam um conjunto de ações que partem da criação de um Conselho Nacional de Direitos Humanos. Sendo este dotado de recursos humanos, materiais e orçamentários que garantam seu pleno funcionamento, tendo seu respectivo credenciamento junto ao Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e que lá represente o Brasil como Instituição Nacional, dando assim, um primeiro passo rumo à adoção plena dos “Princípios de Paris”. As três propostas seguintes versam também a respeito da criação, organização e atividades deste conselho nacional, mas inclui a criação de outros conselhos nas esferas Estadual e Municipal.
            A criação de Conselhos vem se mostrando uma medida cada vez mais adotada pela Administração Pública, para o fortalecimento da participação direta da sociedade civil na decisão das ações do Estado. Em especial quando estes conselhos ganham o caráter de Conselhos Gestores, como explica a Professora Maria da Glória Gohn:

“os conselhos gestores constituem a principal novidade em termos de políticas públicas no terceiro milênio, por serem canais de participação que articulam representantes da população e membros do poder público estatal em práticas de gestão de bens públicos, como agentes de inovação e espaço de negociação de conflitos”.


            Gohn diferencia três tipos de conselhos no Brasil do século XX: 1) conselhos comunitários dos anos 70 - criados pelo próprio Executivo para auxiliar na administração municipal; 2) conselhos populares dos anos 80 – resistência de esquerda ao regime militar, o foco central dos conselhos era a luta pela participação popular. Para os movimentos sociais a participação nos conselhos poderia significar um momento de organização e direção das lutas políticas fragmentadas; 3) conselhos institucionalizados (gestores) dos anos 90 – criados nos três níveis de governo, têm caráter interinstitucional, têm papel de instrumento mediador na relação sociedade/Estado e, estão previstos na Constituição Federal de 1988.

Segue [...]

14.5.14

UNE na luta pela Assistência Estudantil

seminario asistencia estudantil UNE

Chegamos para ficar!

Patrick Campos Araújo*

A União Nacional dos Estudantes – UNE, realizou nos dias 09, 10 e 11 de Maio na cidade de Ouro Preto-MG seu III Seminário Nacional de Assistência Estudantil. Estiveram presentes mais de 700 estudantes de todas as regiões do país, de diversas Universidades Públicas e Privadas e de Institutos Federais.
Reunidos para debater o tema “Entrar, Permanecer e Transformar a Universidade”, os estudantes tiveram a oportunidade de conhecer e avaliar as diversas realidades do país a partir de Grupos de Discussão sobre Universidades Estaduais, as recentes Greves dos Docentes e Servidores das Instituições Federais, a Política de Drogas, as relações étnico raciais na produção do conhecimento, Moradias Estudantis, a interiorização das IES e a relação das Executivas e Federações de cursos no tema da Assistência Estudantil.
Também foram realizadas mesas de discussão com Pró-Reitores, especialistas nas áreas de participação social, entidades e movimentos de educação, entre outros, em espaços para debater Concepção de Assistência Estudantil; a participação estudantil na construção das políticas de permanência; os desafios para a permanência dos cotistas; a assistência para Prounistas e estudantes que aderiram ao FIES; e as condições de permanência das Mulheres na Universidade.
O Seminário contou com a presença da Coordenadora Nacional do FONAPRACE (Fórum Nacional de Pró-reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis), órgão assessor do ANDES, Professora Sylvia Franceschini da Universidade Federal de Viçosa – MG, que travou um histórico da luta pela Assistência Estudantil, os desafios, perspectivas e estratégias para o próximo período.