10.7.14

Da Varanda...

O tempo passa, e sua medida já é de anos.
Nestes, os muros ficaram mais altos. Já não vemos mais a área dos vizinhos.
Muitas árvores foram podadas, outras arrancadas.
A casa da esquina virou bar, que virou video game, que virou salão, que virou lan house, que virou distribuidora de bebidas e que sabe-se qual o próximo novo nome que não conhecíamos se tornará em breve...
Os rostos das crianças, agora carregam o semblante de pequenos adultos.
Mas, como que resistindo, há ainda daquilo que havia.
O homem do beju.
A laje sem construir.
As pedras do calçamento, cada vez mais ligadas pelo cimento das reformas de final de ano.
O latino dos cachorros, que aqui não são cães.
As cadeiras na calçada, daqui a pouco, depois do sol se pôr e antes da novela começar.
Os pequenos, antes trazidos, agora trazendo os ainda menores da escola. Chegam com o colorido das fardas e das mochilas, que aqui são bolsas mesmo, e de seus sorrisos alegres de quem se livrou de mais um dia de escola.
Chega a hora do dia em que o céu brilha com um azul que se mistura a tons de amarelo e vermelho. A cor que parece encantar os passarinhos e inspirar os corações de quem sente que o tempo é um velho amigo, que se mostra da varanda de casa num fim de tarde de inverno no sertão.

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