No ano de 2011 teve inicio a tarefa de reorganização da Juventude da AE em Pernambuco.
Os motivos que levaram a necessidade de reorganização podem ser conhecidos através dos e-mails, do plano de trabalho e dos boletins/informativos da JAE-PE publicados naquele ano.
A experiência é a principal base das reflexões deste texto.
A diferenciação necessária entre o militante que ocupa um espaço de direção e o militante dirigente.
Tem sido cada vez mais comum a denominação de dirigente ao militante que ocupa espaço de direção ou que dirige determinada ação.
Desde a época da reorganização da JAE em Pernambuco, observo nessa confusão um erro.
A criação de uma instância de direção, não implica necessariamente a constituição de um corpo dirigente.
Mas o fato tornou-se ainda mais concreto durante os anos de militância na diretoria da União Nacional dos Estudantes.
Por vezes me vi sendo apresentado como dirigente da UNE. Em diversas oportunidades refiz as apresentações.
Pois em que pese ser diretor da entidade, jamais fui seu dirigente.
Seria um erro e uma mentira afirmar que era dirigente da UNE, pois ela possui um núcleo dirigente do qual jamais fiz parte.
Na verdade, portanto, fazia parte de sua diretoria, assim como outras 72 pessoas.
Neste período seria mais correto afirmar que estive como dirigente do conjunto dos estudantes organizados e/ou orientados pela Juventude da AE no movimento estudantil. Pois, em que pese não terem formalmente uma direção, possuíam militantes que dirigiam suas ações nacionalmente, sendo estes os diretores da UNE eleitos pela Reconquistar.
Parte dessa reflexão, resultou na IX Conferência da JAE na ideia de constituir, para além da CNJAE, um time nacional. De forma que a CNJAE passasse a cumprir prioritariamente a tarefa dirigente.
Muito por considerar que as tarefas desenvolvidas pela instância até aquele momento, estavam muito mais relacionadas as questões de direção organizativa, ficando a cargo dos militantes que estavam em espaços nacionais, as tarefas de direção política.
Em resumo, uma instância de direção onde poucos cumpriam papel dirigente.
Tal situação é explicável e até compreensível numa organização como a UNE, mas não pode ser numa como a Juventude da AE.
Infelizmente a solução construída na IX Conferência não teve muita eficácia.
Será preciso rever o modelo e o formato de organização para termos uma instância dirigente.
Para tanto, será preciso reformular as atribuições e tarefas da direção.
Uma destas reformulações é a definição da CNJAE como instância dirigente e direção política da Juventude da AE.
Junto a isso, é preciso combater o dirigismo e o espírito "dirigista". Esta é uma fetichização do espaço de direção.
Tal fetiche fomenta entre a militância um equivocado juízo de direção. E nesta, por sua vez, os desvios típicos que certos espaços de poder incubem.
Continua...
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