Uma organização de juventude possui um desafio permanente: a construção de instâncias de direção, formada por jovens quadros dirigentes que conheçam profundamente a história da organização.
É um desafio porque, o acumulo da memória história não é algo simples.
É um desafio porque, a velocidade da transitoriedade da condição de juvenil por vezes não corresponde a da trajetória militante.
É um desafio porque, o risco de desacumular em um curto espaço de tempo é enorme.
Basta falhar na formação de uma geração de quadros dirigentes, para regredir muitos passos.
Basta falhar na formação de uma geração de quadros dirigentes, para que os outros jovens da organização precisem continuar por mais tempo tocando determinadas tarefas.
Basta falhar na formação de uma geração de quadros dirigentes, para que um plano de trabalho de médio e longo prazo precise ser revisto, as vezes, em sua integralidade.
A alterativa para impedir essas falhas foi encontrada por determinadas organizações de juventude através do acompanhamento das tarefas de juventude por dirigentes não jovens.
Convenhamos que se trata de uma saída que resolve o problema.
Mas cria muitos outros, que atingem diretamente a concepção do modelo organizativo.
Ao longo da maior parte do século XX foi desta maneira que se organizaram as juventudes dos partidos comunistas.
Por certo que, uma vez compreendido o papel da organização de juventude como derivado da organização central do Partido, tal modelo pode ser, e de fato foi, muito eficiente. É extremamente eficaz no processo de iniciação de militantes e de convencimento, mesmo que superficial, do programa partidário. Constituído como frente de massas, tendo ou não autonomia plena, pode tornar-se um importante instrumento de mobilização, agitação e organização de determinados setores da juventude.
Mas identifico dois problemas de concepção que tornam tal modelo inadequado, quando se trata da organização da juventude trabalhadora brasileira neste momento, e suas implicações nos modelos de direção e de formação de dirigentes.
O primeiro, diz respeito ao alcance.
Tal modelo está em vigor em inúmeras organizações de juventude no país, com maior ou menor número de filiados. Mas em todas elas, a parcela ou o setor da juventude alcançada não é a massa de trabalhadores.
Este modelo, portanto, é muito mais útil para arregimentar militantes e a partir daí dar continuidade a cadeia de transição e formação partidária, do que propriamente constituir instrumentos de organização e luta da juventude trabalhadora.
Seu alcance, por mais que seja potencializado quando associado ao controle de entidades histórias, ou sindicatos fortes, não tem como consequência a ampliação da organização da juventude trabalhadora, mas apenas a organização de uma pequena quantidade de quadros pinçados pelos dirigentes, jovens ou não, para as tarefas de juventude do partido ou da organização.
O segundo, diz respeito a diminuição do papel dos jovens enquanto dirigentes.
Tal modelo tem como princípio a submissão da vontade do conjunto dos militantes jovens, a orientação daquele responsável pela tarefa de juventude.
Mesmo que esta figura não seja pública e sua ação não seja perceptível ao olho de um observador leigo, está intrínseco que de sua boca que emanam as decisões finais.
Esta submissão é prejudicial em qualquer processo de formação. Mas é avassalador quando feito a um grupo que deve ser a direção política da organização.
Neste ponto torna-se visível com uma clareza solar o que significa ser direção e ser dirigente.
Nestas organizações, por possuírem esta concepção, não são poucas as vezes que a direção não dirige.
O papel dirigente, ou de direção política, passa às mãos de terceiros, cabendo a direção o papel de dar conta do cumprimento de tarefas políticas de menor importância e do conjunto das tarefas organizativas.
Este modelo jamais conseguirá corresponder as necessidades da juventude trabalhadora brasileira.
Primeiro porque apenas um partido de massas, com uma organização de juventude de massas que adotasse este modelo conseguiria atingir a maioria dos setores da juventude trabalhadora.
Hoje, isto não existe. Todos os partidos que possuem organizações de juventude de massa, não são em si partidos de massa.
Segundo porque apenas um partido de massas, com uma organização de juventude de massas, poderá ter como objetivo estratégico a organização da juventude trabalhadora para que ela utilize o instrumento como ferramenta de luta e organização e não como mero espaço derivado da organização central.
Terceiro, por que apenas um partido de massas, com uma organização de juventude de massas, reúne as condições de ter em suas instâncias de direção uma militância dirigente, pois será por ter esta característica que estarão lá.
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