24.9.14

De caminhos e outras coisas

Como um errante ao achar uma boa trilha, por muito segui.
Parando as vezes, como um barco sem rumo, que encosta nos portos.
E sempre seguindo, numa busca insensante pelo que ainda não se sabe o quê.

Certo que por vezes não neguei companhia.
Por trechos curtos, outros mais longos, variando de acordo com o quanto agradava.
Confesso que, distraído, perdi-me não poucas vezes. Quase as mesmas em que, não por mim, deixei de seguir por outros caminhos.

Claro que descansei. Mas não há cura para esse cansaço.
É inexorável, como também é a inquietude.
Não fosse pelas descobertas, pelas paisagens, lugares e mais lugares, cederia ao primeiro encanto de qualquer canto.
Não há embriaguez maior que a da beleza.

E bêbado, embebido de tudo quanto é sentimento, nacional e importado, amanheci incontáveis vezes, ressacado.
E sempre com a pior delas.
Aquela que nos faz dizer: "nunca mais".
Anunciando a hipocrisia, antencipando a condição de dependente, e vendo a fraqueza diante do vício ao primeiro e bobo sorriso.

Difícil pois é quando se percebe, que seguindo adiante, se anda em circulos.
E que como um barco a deriva, mudar o rumo, depende mais do vento que da força no remo.
"Que fazer então? Admirar a paisagem?
Contemplar o passar do tempo, tendo-o como companheiro e amigo?
Pois ao final, nao restando alternativa, será ele quem servirá de juiz e de guia".

Pensava isso quando chegou o resgante.
Vindo de terras frias, mas com tanto calor, que na distância já a sentia.
E que maravilhosa sensação de alívio.
Para um perdido, coisa boa é ser achado por alguém que sabe o caminho.
E me deixei guiar, ainda que relutante.

Mas até mesmo para o mais inquieto dos mares, sempre vem a calmaria.
E nestes dias de paz, onde os encontros são maiores que as despedidas, o tempo também acalma.
E na calma, se pode observar melhor os caminhos.
E perceber que, no ponto onde se chegou, não se segue mais sozinho.

Apenas com uma doce companhia para que essa sim possa servir de guia.
Que nas noites frias, aqueça o corpo e o espírito com a paz que como já foi dito, reside apenas entre as coxas de uma mulher.
E que nos tempos bons, de mãos dadas, caminhe lado a lado pisando sobre as folhas do outono, que cultivamos para as flores da primavera.

Quando se vai permitindo aportar.
Fazer um ninho, levando galho por galho, as partes de um lar.
Com o desejo de por ali muito tempo com a doce amiga ficar. O muito que são os dias depois dos dias. Como aquele que há depois de "tudo passar".

Descobrir o amor na juventude, deve ser dádiva ou maldição.
Aqui deveria haver apenas a paixão, pois esta, dizem ser mais fácil lidar.
Mas como todo viciado que encontra algo mais forte, já não há como largar.
E nem se deve. Não há redução de anos no amor. Todos os seus danos são necessários.

E que sejam jovens os agraciados de encontrar o amor em seus caminhos.
Num mundo de tantas incertezas, ter ao menos uma, e ser esta o amor, já compensa muita coisa.
E se errante errar seguidamente o caminho, já não há problemas. Nesta estrada, fazemos nosso trajeto. Não se segue passos.
E quando se encontra a quem caminhará a seu lado, certamente se chegará em qualquer lugar desejado.

Por exemplo numa casinha, de lindo jardim e um banquinho branco entre as flores de onde se vê o sol e se admira a beleza de uma árvore, de onde cantam os passarinhos. Enquanto, sem o tempo e sem mais nada, repousa despreocupada em um ombro a face da menina amada.

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