4.4.16

“PT: Construção Partidária e Luta Social” por Patrick Campos

[Publicado no Blog Ponto Crítico, disponível em http://pontocritico.org/31/03/2016/pt-construcao-partidaria-e-luta-social-por-patrick-campos/]
O Partido dos Trabalhadores possui uma história de 36 anos de lutas em defesa dos interesses do povo brasileiro. É mais tempo que os meus 25 anos de idade e que dos mais de 50 milhões de jovens entre 16 e 29 anos que vivem em nosso país.
Não é necessário nomear, pois levaria incontáveis páginas, as conquistas que o PT alcançou nesse seu também curto período de existência. Mas vale destacar que elas não se resumem ao que foi feito a partir de sua chegada ao Governo Federal, como as dezenas de Universidades, centenas de Institutos Federais, milhares de bolsas do Ciências Sem Fronteiras ou as milhões de novas vagas em todos os setores do ensino superior, para citar exemplos apenas na área da educação.
Digo isso, pois me parece que as ações de Governo, assim com as ações Parlamentares de petistas, são apenas uma das faces do partido. E esta face tem no jogo eleitoral o seu inicio e muitas vezes o seu fim. Sendo, portanto, elemento insuficiente para análises que almejam ser mais apuradas.

Até porque, o PT não nasceu como partido eleitoral, ou seja, não nasceu apenas para disputar eleições. Nasceu como ferramenta de organização dos trabalhadores e das trabalhadoras que, no pulsante ano de 1980, davam consequência ao seu desejo e vontade de colocar um fim a ditadura militar e iniciar um período de liberdades e de democracia no Brasil.
Por esta razão, sempre balizou o funcionamento e a organização petista, o tripé: Construção Partidária – Luta Social – Disputa Institucional. Exatamente nesta ordem. Ou seja, disputar eleições é algo muito importante para a classe trabalhadora, pois nos permite ocupar espaços que apenas a classe dominante historicamente ocupou e imprescindíveis para determinadas mudanças, mas não só.
É de conhecimento público que o pé da disputa institucional (Governos e parlamentos) cresceu imensamente, principalmente a partir de 1995 e com a vitória do primeiro operário para Presidente da República em 2002. Mas ainda assim, erra quem escolhe apenas a via institucional, e esquece-se das demais, para fazer balanços e autocríticas do PT, seja nacionalmente seja em determinado estado ou município.
E como marxistas que somos (ou desejamos ser) sabemos que quem erra na avaliação, erra na ação. E num momento de acirramento da luta de classes, em que a direita mais reacionária e golpista sai de suas cavernas para tentar retomar a parte de seu poder e privilégios que o PT veio dividindo entre a maioria do povo ao longo dos últimos 13 anos, não podemos nos dar ao luxo de cometer erros.
Toda a esquerda política e social sabe que, mesmo sendo o PT, Lula e Dilma os alvos principais, é o pensamento progressista e o conjunto das organizações populares que a direita quer destruir, tendo estrela ou não em sua bandeira. Sendo ela vermelha, verde, amarela, azul ou branca.
Por esta razão o momento é de construirmos consensos naquilo que for possível, como tem ocorrido na experiência da Frente Brasil Popular. É de colocarmos todas as nossas forças na defesa da democracia, sabendo que a grande maioria do povo só sairá às ruas, se também houver ação de Governo, mudando a política econômica.
Assim, devemos usar tudo aquilo que temos, as ruas, as redes e também as tribunas dos parlamentos onde petistas ocupam mandatos. Se algum destes ainda vacila, é tarefa do partido, enquanto organização política e social, torná-lo também instrumento a serviço desta luta. O que não podemos, é deixar que determinados interesses, pouco coletivos, transpareçam como acertados para a maioria do povo.
Dessa maneira, é preciso eleger o espaço partidário como nossa “ágora”, recolocando a construção partidária e a luta social como o centro de nossas ações, para que a disputa institucional seja meio e não fim para o que queremos, que é um mundo sem injustiças.”.
Por Patrick Campos é estudante de Direito e militante do Partido dos Trabalhadores.

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