29.11.15

3º Congresso Nacional da Juventude do PT

De 19 a 22 de novembro em Brasília-DF ocorreu o 3º Congresso Nacional da Juventude do PT. Realizado após três meses de etapas municipais e estaduais, o congresso nacional teve 332 delegadas/os credenciados, sendo proporcionalmente o menor de todas as etapas nacionais já realizadas após o atual modelo ser estabelecido em 2008. Significa a representação de 7.968 jovens filiados ao PT, em um universo de mais de 160 mil aptos.
Resultado de um processo carregado de problemas desde o inicio, onde não foram preparadas as condições básicas para o cumprimento do regimento, em seu conjunto foi marcado pelas sucessivas alterações regimentais, por imensa falta de transparência no acesso as informações e pela restrição da democracia à imposição das vontades e interesses de parcela dos membros da Comissão Organizadora Nacional.
Assim, o 3º CONJPT teve seu papel completamente modificado. Deixou de ser o momento em que a militância discutiria e construiria o conjunto da política da Juventude do PT, para ser o espaço de imposição das vontades de uma maioria que agiu sistematicamente para produzir um resultado numérico que lhe fosse favorável, independente do debate político e do cumprimento das regras regimentais ou simplesmente das regras básicas da democracia.
Por estas razões e pela avaliação de que o resultado eleitoral de um congresso construído com estes pilares, além de não possuir legitimidade, não colocaria a Juventude do Partido dos Trabalhadores a altura de enfrentar e vencer os desafios políticos que se colocam diante dela, um grande conjunto de militantes decidiu construir uma saída.

Uma saída que permita a juventude do PT ter condições de defender o legado do PT enquanto principal instrumento de luta e organização da classe trabalhadora no Brasil, bem como que possa disputar a política do PT para que esta não deixe de estar alinhada aos interesses das trabalhadoras e trabalhadores num momento que a maioria da direção partidária vacila nessa defesa.
Portanto, é uma atitude que busca incidir diretamente nos rumos do partido e da política que atualmente hegemoniza o PT e sua juventude. Que visa mudar a estratégia de conciliação e aliança com os setores do centro e centro direita para garantir governabilidade, por outra aliança que seja com os setores populares e os movimentos sociais, sindical e a juventude trabalhadora.
Esta posição tomou volume ao longo dos dias de congresso e culminou na realização de uma grande plenária com mais de uma centena das delegadas e delegados credenciados. Fruto desta plenária, consolidou-se a posição acerca da ilegitimidade dos procedimentos e da política que conduziriam a eleição do que seria a próxima direção da Secretaria Nacional da JPT.
A responsabilidade com a defesa do PT, da democracia, do Governo Dilma e da organização da juventude petista, portanto, não passava pela eleição daquela direção, mas pela construção de uma nova maioria que possuísse verdadeira hegemonia política, e não apenas numérica fruto de manobras nada democráticas.
Assim, o conjunto das delegadas e delegados presentes nesta plenária decidiram pela organização de um amplo movimento da juventude do PT que conduza e oriente a militância da JPT ao longo do próximo período. Um movimento que esteja voltado para a defesa do PT, para a construção da Frente Brasil Popular, para as lutas em torno da mudança na política econômica do Governo, no enfrentamento ao golpismo e pela cassação de Eduardo Cunha.
Orientados por estas bandeiras, o primeiro passo já foi dado. A juventude do PT, rompendo com o imobilismo da direção, realizou a primeira ação direta organizada pela JPT em quatro anos. Marcharam sobre a câmara dos deputados, ocupando a cúpula do prédio que não era ocupada desde os atos de junho de 2013, no primeiro dia após a retirada do acampamento dos golpistas.
O ato expressa a opinião da juventude petista acerca da saída imediata de Eduardo Cunha da presidência da câmara dos deputados, bem como a posição da juventude acerca do que deve ser a posição da direção e da bancada do PT. Em seguida, marcharam para o prédio do ministério da fazenda, onde foi exigida a saída do ministro Joaquim Levy e a mudança na política econômica do governo. Mudança que implica, além da saída do atual ministro, na não indicação de indivíduos como Henrique Meirelles, que representa o mesmo setor e os mesmo interesses que hoje jogam o país na recessão econômica.
Com este movimento, a militância da esquerda petista na juventude do PT virou uma página de sua história. Inicia-se agora um novo momento, marcado pela vontade política de construir uma real frente de massas do PT na juventude trabalhadora que precisará estar muito além dos limites impostos pela política da atual maioria do PT.
Esta construção precisará do envolvimento de cada militante que segue acreditando no PT como peça fundamental dos trabalhadores na luta de classes, mas que sabe que para ser mais útil, o partido precisa mudar. E que parcela desta mudança pode partir da ação da juventude trabalhadora organizada no petismo que tem a construção do socialismo com seu objetivo estratégico.

* Patrick Campos foi candidato a secretário nacional da JPT

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