23.4.21

Sobre muros e defesas

As defesas foram recompostas.

Os muros que tinham sido penetrados, mais uma vez foram reconstruídos.

Depois de tantas vezes, pegamos a prática.

Pelo menos disso podemos nos orgulhar.

O ruir constante de nossas defesas proporciona os raros momentos sem tristeza.

E a capacidade de reconstruir, mantém os piores afastados.

17.4.21

Sobre a distância

O tempo e o espaço são dimensões da existência

Sua força é capaz de quase tudo no universo 

E também é para cada indivíduo que existe nele 

Que bom para o universo e que bom para cada um ter a distância e o tempo 


Para o universo, o espaço-tempo dá sustentação

Para o indivíduo, ele cria toda a ilusão

E para todos tudo isso parece ser parte da razão 


Pena que nos dias difíceis, para o universo e os indivíduos, o tempo e o espaço deixem de fazer sentido

Então ficamos assim 

Pensando em como tudo poderia ter sido


Desejando que o tempo passe ou volte

Até que a distância afaste de vez ou traga mais uma vez aquela que um dia nossa ilusão tanto quis 

Que nunca tivesse existido 

Ou que jamais tivesse partido




4.4.21

Sobre as confidências para a solidão

A solidão é uma companheira 

Amiga, fiel e também conselheira 

Mas é uma desgraçada, como qualquer amigo 

Que sem pena nem dó, nos atira verdades na cara


E a verdade sobre a solidão é que ela não nos deixa 

Mesmo quando acompanhados

Sua presença pode ser sentida, bem ali, do lado

Cochichando aquelas verdades que em confidência falamos ao acaso

15.3.21

Dos velhos poemas

Reler velhos poemas, esquecidos, é sempre uma primeira vez

Como sentir o sabor do beijo 

Aquela delícia que é o desejo

Do que perigosamente se fez


E a lembrança desperta a vontade

Pois o gosto do que é bom não se evade

Fica na língua marcado

Como quando ela termina e todo o corpo parece ter sido amado


2.3.21

Xxx

Está tocando aquela música.

Sorrio. Afinal, ela é sobre sorrir.

E como não sorrir ao lembrar daquele sorriso.


Permiti o que não devia.

Mas descobri que queria.

E que linda descoberta.


Passei a sorrir nos dias ruins.


31.12.20

13.6.17

Assistencialismo parlamentar: limites entre o público e o privado


Você consegue imaginar a cena de um agente policial entregando sua arma e algemas à um cidadão civil e dizendo “resolva o seu problema”? Provavelmente não. Afinal, sabemos que o policial, no exercício de sua função, tem que agir conforme a lei e não transferir sua responsabilidade para o privado. Assim como sabemos que qualquer agente público que utiliza a prerrogativa do cargo para atentar contra os princípios da administração pública violando os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, incorre em crime de improbidade (Lei 8.429/92).
Nesse sentido, por qual motivo parece ter se tornado natural que parlamentares utilizem sua prerrogativa de mandatários para, ao invés de elaborar e fiscalizar o cumprimento das leis que beneficiem o total da população, atuar de forma privada direcionando sua ação para o atendimento de maneira particular das necessidades exclusivas daquelas e daqueles que por alguma razão chegam às portas de seus gabinetes?