20.11.16

Sobre encontros e reencontros

Nada como uma amizade.
Daquelas que parecem nunca começar e nunca acabar.
Que muitas vezes sequer parecia existir, mas que o tempo se encarrega de mostrar.
Que parece que estava ali antes mesmo da gente chegar.
Nada como fazer novas amizades.
Nada como encontrar os amigos, ou também, reencontrar amizades.
Lembrar de como tudo começou.
Da primeira tatuagem feita, da primeira banda sugerida, dos primeiros poemas escritos.
Nada como sentir a força revigorante e reconfortante da companhia.
Nada como escrever sobre a maravilha de pensar em quem se gosta antes de dormir.

17.11.16

As ocupações

Disponível também em: http://www.pagina13.org.br/juventude/as-ocupacoes/#.WC2eFtIrK1s
Iniciadas como reação às medidas de limitação nos investimentos na saúde e educação com a PEC 241, tramitando no Senado agora como PEC 55 –, e também como reação à proposta de reforma do ensino médio por meio da Medida Provisória 746/2016, as ocupações estudantis de escolas por todo o Brasil caracterizam-se hoje como a mais contundente reação contra o governo golpista.
Já são mais de mil escolas ocupadas em todo o país e mais de cento e trinta Universidades e Institutos Federais. As ocupações têm resistido às investidas do governo, à criminalização pelo judiciário, à violência brutal das polícias e também as ações criminosas de grupos incentivados e mobilizados por organizações como o MBL.
Principal foco das ocupações, o estado do Paraná, governado pelo agressor de professores Beto Richa, reúne mais de oitocentas ocupações. No último dia 26 de Outubro, uma assembleia conseguiu reunir representantes de mais de seiscentas ocupações, que aprovaram uma pauta de reivindicações, que passa pela não implantação da dita “reforma do ensino médio” e pela anistia aos estudantes ocupantes. Ações semelhantes estão ocorrendo no Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Distrito Federal.
É um sinal da força desta que vem sendo chamada por muitos de “primavera estudantil”. Uma demonstração da capacidade de luta e resistência de setores populares, que muito têm a ensinar. Justamente por isso, é necessário extrairmos algumas lições deste processo.

7.10.16

Sobre o tempo das coisas

Tudo tem seu tempo
Cada um tem seu tempo
E o próprio tempo deve precisar de tempo as vezes
Por isso, é bom lembrar que temos tempo.
Talvez não o tempo que queríamos
Não o tempo que precisávamos
Mas o tempo que deu
E é bom perceber
Pra não dizer que perdeu.

4.10.16

Sobre o resultado eleitoral do PT nas eleições municipais em Petrolina

1. Em Janeiro deste ano escrevemos e fizemos circular um pequeno Plano de Trabalho para o Partido dos Trabalhadores de Petrolina, nele dizíamos que as “eleições municipais de 2016 seriam decisivas para a vida política e eleitoral do Partido dos Trabalhadores. Por um lado, porque seria o momento de enfrentar os golpistas nas urnas, mensurando o impacto dos ataques da grande mídia, do judiciário e do empresariado no capital eleitoral do PT. Por outro, seria a chance de travar o debate político com os setores da classe trabalhadora que foram as urnas em 2014 defender o projeto petista, que viram frustradas suas expectativas ao longo de todo o ano de 2015 e que esperam uma profunda mudança no governo federal e nas atitudes do PT, principalmente em suas cidades em 2016”.

2. Dizíamos também que seria “imprescindível que o Partido apresentasse candidaturas para a prefeitura e Câmara de Vereadores capazes de fazer o enfrentamento aos golpistas e defender o partido, representando as aspirações e desejos de mudança que os setores da classe trabalhadora querem”.

3. Apresentamos o cenário de que “em Petrolina, a situação do Partido é delicada. Em 2012 a chapa PT-PPS obteve 13.651 votos, numa eleição em que o coeficiente eleitoral foi de 7.498 votos. Sendo que destes apenas quatro candidatos obtiveram votação superior a mil votos, enquanto nenhum outro ultrapassou os 400 votos. O partido ficou em quinto lugar na votação proporcional e terceiro na votação majoritária com 29.506 votos, de um universo 143.513 votos válidos”.

19.9.16

Sobre caminhar

Experimente caminhar pelas ruas que já caminhou e nas quais fez planos.
Caminhe devagar.
Tente lembrar o que pensou quando esteve ali.
Qual música ouvia ou cantarolava.
Quem namorava e quem queria namorar.
Pense no livro que estava lendo ou a série que assitia.
Olhe para os lados e veja como as coisas estão.
Tente lembrar como elas eram.
Deixe a alma sentir.
E enquanto isso, escreva um poema bobo.

8.7.16

Sobre a vida

Somos outro, entre o não soprar e o novo vento
Entre o escutar e o não ouvir
Entre o fazer e o pensar
Entre o rever e o relembrar como podia ter sido
Entre o ouvir e imaginar e o cogitar como seria
A vida segue, do jeito que é
Mas não deixa de mostrar o como poderia ter sido
Afinal, o poderia, poderia ser muitos
Poderia ser daquele, ou daquele outro
Como saberemos?
Viveremos
E a vida?
Ela dará o seu jeito
Afinal, o jeito
O feito
É o como ela encontrou de ser de alguma forma
Podia ser outra
Podia ser diferente, mas não...
Foi exatamente como aconteceu
E o como podia ter sido...
Será para sempre o como podia, mas não foi...
Mas, quem sabe, de algum jeito, em algum momento, virá a ser o como devia ter sido...

4.5.16

Capez, Temer e o que nos ensinam nas faculdades de Direito


Acontecimentos das últimas semanas, dias e horas que envolvem figuras do mundo jurídico, devem servir para extravasar algo que há muito já é dito: o judiciário e o mundo jurídico precisa mudar muito.
Como primeiro exemplo, lanço mão da figura de Fernando Capez, autor de inúmeras obras de Direito Penal e Processual Penal, presente em não sei quantas ementas de cursos de Direito Brasil afora.
Hoje Deputado Estadual pelo PSDB em São Paulo e presidente da respectiva Assembleia Legislativa, é acusado de envolvimento na "máfia da merenda" (http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/04/capez-e-citado-por-suspeitos-de-fraude-em-merenda-diz-policia.html), que desviou recursos da merenda escolar na rede pública estadual daquele Estado.
O mesmo que nos "ensina" em seus manuais de "Curso de Direito Penal" teorias e mais teorias acerca do Crime, parece necessitar de revisão daqueles elementos de fato típico, culpável e antijurídico. 
Demonstra com as atitudes tomadas diante da ocupação da ALESP pelos estudantes secundaristas que reivindicam apenas a legítima abertura de uma CPI, que suas teorias têm como pano de fundo a velha máxima "aos amigos tudo, aos inimigos a lei".
Mas como nas salas de aula de Direito mais tem valido o vômito retórico de referências aleatórias para responder questões de concursos e questões da OAB, a reflexão acerca da origem das teorias que aprendemos é secundarizada, deixada para aquelas (muitas vezes tidas como desprezíveis e chatas) disciplinas de sociologia e filosofia rapidamente superadas nos primeiros semestres das faculdades.
Consequência: "aprendemos" o que nem sequer sabemos de onde veio para aplicar onde nos mandarem, da melhor maneira que faça o sistema funcionar.