10.9.15

Página 13 entrevista Patrick Campos, candidato à secretário nacional da Juventude Petista

Página 13: Qual balanço você faz sobre a atuação da JPT nos últimos anos?
Patrick: Falando da direção da JPT, afirmo que ela esteve muito abaixo daquilo que a militância petista quis e precisou. Muito abaixo porque ao contrário de organizar a juventude trabalhadora e disputa-la para o petismo, caminhou no sentido da burocratização e do afastamento desta juventude.
As posições acríticas e na maior parte das vezes a falta de posição e opinião política própria fez da JPT uma correia de transmissão do pensamento produzido pelos militantes do Partido no Governo, por parlamentares e figuras da direção partidária.
Certamente não podemos aplicar este mesmo diagnóstico que trata da direção da JPT ao conjunto da militância jovem petista. Mas como resultado desta situação, as centenas de milhares de jovens petistas, filiados ou não, estão longe do cotidiano e da vida partidária, pouco organizados e atuando de maneira dispersa.
A própria atuação da JPT nos movimentos sociais é reflexo desse cenário. Basta citar a atuação dos estudantes petistas na construção da União Nacional dos Estudantes para perceber isso.

Além de termos desacumulado em debates muito caros a JPT. A formulação sobre a transitoriedade da condição juvenil cai por terra quando o próprio secretário nacional da JPT realiza sua reeleição tácita, ficando quatro anos a frente da secretaria de juventude do partido.
De que modo a juventude petista de contribuir para que o PT supere a atual crise?
Disputando os rumos do partido na perspectiva de mudar sua estratégia. A realização do III Congresso é uma grande oportunidade de fazer esta disputa. Toda a militância do partido esperava que o 5º Congresso cumprisse esse papel. Como aquele deixou de cumprir, a JPT não deve vacilar em recolocar todo o debate novamente sobre a mesa e convocar o conjunto do partido a travá-lo.
Por outro lado, a juventude petista precisa reforçar junto aos movimentos sociais nos quais esta inserida a pauta de luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e da democracia, convocando sempre o PT a somar-se a esta luta. Uma das principais questões diz respeito a pauta do ajuste fiscal implementado pelo Governo.
A juventude petista precisa se manifestar e se organizar para enfrentar este ajuste que apenas aprofunda a crise política. Combater o ajuste fiscal recessivo e disputar o governo para uma pauta positiva para os trabalhadores é o caminho para que o PT supere a atual crise.
Quais são os principais desafios do III Congresso da JPT?
O primeiro desafio será o de fazer com o que Congresso da JPT não seja uma versão jovem do 5º Congresso do PT. Ou seja, que não sirva para nada. O Congresso precisa apontar um caminho para a militância e para a direção do Partido dos Trabalhadores que possa nos tirar da defensiva. Um caminho que passa por mudar a estratégia do partido e dar um cavalo-de-pau na política do Governo.
Um segundo desafio será o de recriar as condições para a relação da JPT com a juventude trabalhadora. O debate sobre a constituição de uma frente de massas do PT na juventude, portanto, precisa ser retomado. Nesse ponto o congresso terá o desafio de formular uma estratégia de curto e médio prazo para a organização destes setores da juventude que hoje estão em disputa e que temos perdido para o conservadorismo.
Outro desafio será o de tratar as questões do combate as opressões, ao machismo, racismo, LGBTfobia e o extermínio da juventude como centrais e não secundárias. O próprio tema do congresso, que será realizado no dia da consciência negra, faz com que tenhamos toda a atenção com aquilo que hoje vem determinando a vida e a sobrevivência da juventude trabalhadora.
Por fim, o III Congresso da JPT terá o desafio de fazer funcionar algumas engrenagens do partido que estão enferrujadas. O desafio de não ser mais um espaço definido pelo poder econômico
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