19.3.15

"Sem brincadeiras..."

Motivados por uma publicação que dizia: "O sujeito quer que eu olhe para o Levy e veja Revolução Democrática", uma companheira e um companheiro da juventude do PT escreveram:

"O dirigente faz um texto que precisamos ter unidade em um momento como esse e a ação é provocar a formulação séria de uma corrente do partido? Paz entre nós, guerra aos senhores". E "esse tipo de provocação não é a forma mais inteligente de incentivar o debate e contribuir para a unidade em meio a uma conjuntura tão complexa".

O "momento" e a "conjuntura" ao qual ambos se referem é o de crescimento e organização da direita que foi às ruas no dia 15 de março. Por óbvio, acreditam que devemos ter unidade não apenas na ação, mas também na leitura, na opinião, na reflexão e na forma como ela será expressa. Em outras palavras, dadas as circunstâncias, devemos combinar tudo direitinho para ficar parecendo que tudo está bem aqui e o problema é apenas a ameaça do lado de lá.

Espero que não tenha quem duvide do ataque preparado nas linhas inimigas. Mas justamente por isso, não é momento de recuo tático, é preciso partir para a estratégia de ofensiva. E neste "momento" e nesta "conjuntura" isso não é possível sem uma mudança na linha adotada. Mudança na linha que reorganize a tropa e prepare o contra-ataque.

Dessa maneira, ocultar o debate interno no partido, que precisa debater para poder formular, é um contra-senso. Principalmente quando sabemos que para enfrentar os inimigos "do lado de lá", precisamos primeiro definir o que usaremos "do lado de cá". 

A questão portanto é realizar o debate de ideias. Esse debate não pode e nem deve ser realizado nas salas e gabinetes confortáveis dos parlamentares e dirigentes, pois é nas ruas e nas redes a todo momento que o conjunto da classe trabalhadora o está fazendo, com ou sem o PT participar.

Nunca foi uma característica nossa ocultar as divergências, principalmente porque nossa pluralidade de opiniões é uma de nossas maiores qualidades. E neste "momento" e nesta "conjuntura" o Partido dos Trabalhadores precisa comportar-se enquanto tal e avocar para si a tarefa de ser espaço onde os trabalhadores podem debater.

É um erro imaginar que nossas divergências nos enfraquecem. Erro maior é imaginar que não devemos nos utilizar de todas as ferramentas de comunicação para debater, de modo a envolver o máximo de pessoas possível. Erro imensurável é definir divergência como "picuinha".

Se "a conjuntura é séria demais pra brincadeiras", mais séria ainda é para discutir o que fazer e não evitarmos a discussão e os pontos de divergência que precisam ser problematizados.

Mas espero que o problema seja outro. Que não seja a forma da "brincadeira", mas sim seu conteúdo, a tese da Revolução Democrática. Esta, sem dúvidas, ganhou aliados no Partido e no Governo e hoje representa o pensando de alguns de nossos dirigentes e militantes. A tese, "queiram ou não queriam os juízes" é uma das responsáveis por conduzir as coisas ao estado da arte que ela se encontra "do lado de cá". Há quem ache que seja bom, há quem discorde.

Para adiantar, me somo a quem refletindo sobre o assunto escreveu: 

"Dialogando com a DS: que “revolução democrática?" disponível em:
http://5c912a4babb9d3d7cce1-6e2107136992060ccfd52e87c213fd32.r10.cf5.rackcdn.com/wp-content/files/Revista_Esquerda_Petista_1revisadaFinal.pdf 

"Habemus Centro" Disponível em:
http://valterpomar.blogspot.com.br/2011/09/habemus-centro.html 

"Revolução Democratica?" Disponível em: 
http://www.pagina13.org.br/pt/revolucao-democratica/#.VQsKT47F8uc 
  

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