23.3.14

Seminário Nacional de Assistência Estudantil da UNE


*Patrick Campos Araújo
De 09 a 11 de Maio em Ouro Preto – MG a União Nacional dos Estudantes realizará seu III Seminário Nacional de Assistência Estudantil. Com o tema “Entrar, Permanecer e Transformar a Universidade” a UNE convida para o debate estudantes de todo o país, militantes de Executivas e Federações de cursos, UEEs, DCEs, Das, CAs, Coletivos estudantis, dirigentes de entidades como o FONAPRACE (Fórum Nacional de Pró- Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis), ANDES, ANDIFES, CUT, bem como representações de Universidades e do Governo Federal.
Ao reunir todos estes atores, a UNE tem o objetivo de debater profundamente a atual situação das políticas de Assistência e Permanência Estudantil no país, colocando frente a frente e em condições de igualdade o Governo, gestores e estudantes.
O tema do Seminário busca indicar que para além de entrar na Universidade, a luta travada hoje por milhões de estudantes é por condições de permanecer estudando, uma vez que já estão no ensino superior. Permanência esta que está vinculada aos mecanismos e ferramentas existentes nas instituições e não as suas condições objetivas individuais.
O debate que a UNE está levantando parte do principio que, ao longo dos últimos 10 anos, a expansão universitária cumpriu o papel de democratizar o acesso ao ensino superior. Este foi um dos principais saldos positivos de programas como o REUNI, PROUNI, FIES, a Lei de Cotas e reserva de vagas, a criação dos Institutos Federais e etc.
E como fruto desta expansão temos o aumento das necessidades de políticas que permitam que estes novos sujeitos, uma vez tendo sua vaga na universidade, tenham as condições para usufruí-la. Por obvio, não é possível que concordemos em triplicar a quantidade de vagas no ensino superior mexendo de maneira tímida nas estruturas de Assistência e Permanência, mantendo aquelas condições existentes para um público que as instituições tinham dez anos atrás.
É no bojo destas questões que foram estabelecidos cinco eixos centrais para o Seminário Nacional: 1º Políticas específicas para COTISTAS; 2º Construção de instrumentos de PARTICIPAÇÃO e decisão dos estudantes na elaboração e implementação das políticas de permanência; 3º CONCEPÇÃO: as dicotomias “políticas de permanência X políticas de assistência” e “políticas permanentes X políticas provisórias”; 4º Políticas específicas para estudantes MULHERES; 5º Políticas específicas para estudantes PROUNISTAS.
A escolha dos eixos ocorreu por identificarmos que estes dialogam com aqueles novos sujeitos, que ingressaram no ensino superior por meio do processo e dos programas de expansão. São sujeitos que historicamente estiveram fora da Universidade e que apenas agora vêm conquistando o direito de ocupar este espaço. Mas é uma conquista ainda parcial, pois está cercada por bloqueios que tem nas possibilidades de permanência uma de suas maiores expressões.
Parcelas significativas destes estudantes são jovens, trabalhadoras e trabalhadores, de regiões periféricas do país e dos grandes centros urbanos. Para eles a possibilidade de poder estudar está precedida de condições de moradia, alimentação, transporte, apoio pedagógico e tecnológico. Sem estas condições, ou seja, com a conquista exclusiva da vaga, que não venha acompanhada destes suportes, sua condição estudantil está mitigada ou inviabilizada.
É por compreender que precisamos avançar muito mais nas políticas de Assistência e Permanência Estudantil e que 2014 é decisivo para o futuro da educação no Brasil, pois é o ano do novo PNE, da CONAE, de eleições presidenciais e, sem dúvidas, de mobilizações que terão a educação como uma de suas bandeiras, que a UNE convoca todas e todos a se somarem na construção deste espaço.
Principalmente porque um dos objetivos do Seminário é a construção de um Grupo de Trabalho permanente, composto por diretores da UNE, de UEEs, Executivas e Federações de cursos, que coordene uma campanha nacional permanente pela Assistência e Permanência Estudantil ao longo de todo o próximo período. Um movimento inédito e que pretende ser mais uma força nos processos de transformação radical de nossas instituições, fortalecendo o projeto de Universidade Pública, Democrática e Popular que tanto queremos.
*1º Diretor de Assistência Estudantil da UNE 2013-2015

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