4.2.13

UM CHAMADO A JUVENTUDE DO PT


*Patrick Campos

Em nossa história, que tem como marca registrada lutas e resistências, novos capítulos vêm sendo escritos. Desta vez, ou melhor, mais uma vez, um diminuto grupo de novos poderosos conseguiu acumular forças para submeter à grande maioria a sua vontade. Uma desproporcional e ameaçadora força econômica, que se impõe a política, as leis e até mesmo a justiça. 

Nestas circunstâncias, onde a democracia decai e se desvirtua para a demagogia, um chamado a classe trabalhadora pernambucana se faz indispensável. Primeiro, reconhecendo que na batalha diária da luta de classes, apenas a nós podemos contar como companheiros. Segundo, identificando e reconhecendo a existência dos nossos inimigos, mesmo quando estes parecem estar ao nosso lado.

Nesta batalha campal, de desdobramentos imprevisíveis, a juventude deve cumprir um papel estratégico e decisivo. Nunca foi nossa característica a submissão e a complacência. Não é agora que estas nefastas características devem nos surgir. Mesmo com as grandes dificuldades impostas pela lógica do sistema, os momentos de dificuldade devem ser também momentos de aprendizado.

Como protagonistas desta história, e com o direito que nos é garantido de dizer o que pensamos, ficar calado não é uma opção. É preciso gritar para que todos nos ouçam; é preciso caminhar para que todos nos vejam; e é preciso agir para que todos nos sintam.

Se o momento parece, ou mesmo é de defensiva estratégica, fundamental é organizar nossas defesas. Estas, por sua vez, não estão atrás de muros, paredes e escrivaninhas. A luta do povo está nas ruas. E é ai que devemos levantar nossas defesas. Vamos erguer verdadeiras barricadas, sob as quais tremulará o vermelho de nossa bandeira, e o brilho da nossa estrela.

A força do Partido dos Trabalhadores potencializa-se com a de sua juventude. Somos dezenas de milhares espalhados em todas as cidades de nosso Estado. Em cada sala de aula, cada parque, fábrica, igreja, sítio, repartição, em cada fila, cada festa, em cada lugar que pensarmos, indiscutivelmente haverá a presença do petismo.

E é neste momento de necessária organização, que a unidade se faz determinante. Unidade em torno de um projeto verdadeiramente transformador, socialista, democrático e, sim, revolucionário. A unidade que garanta a soma, mesmo que nas divergências. A unidade que possibilite um avanço real na construção de um novo mundo possível.

É com este espírito e esta vontade, que a Juventude do Partido dos Trabalhadores deve conclamar todos os estudantes do estado de Pernambuco a participarem do Encontro Estadual de Estudantes Petistas.

Na pauta, nos está posta a tarefa de discutir um balanço dos 10 anos do Governo do PT na Educação; qual a Educação que queremos para o Brasil; e o Movimento Estudantil, sua concepção e organização. Os três temas nos conduzem a profundas reflexões, às quais, quando coletivizadas, produzirão a síntese do pensamento e da ação da JPT-PE para o próximo período em uma de suas principais frentes de atuação, o Movimento Estudantil.

Não obstante, realizar o Encontro até Abril de 2013 tem sua razão mais do que especial para nós. Estamos em ano de Congresso da União dos Estudantes de Pernambuco, entidade máxima da representação estudantil universitária em nosso estado.

A UEP Cândido Pinto, que tem na sua história gloriosas lutas e conquistas, precisa ser encarada com profundo respeito pelos jovens petistas. Afinal, se hoje a UEP está reerguida, não foi sem o trabalho e a dedicação de diversas companheiras e companheiros do PT, que em cada momento histórico e decisivo da entidade, deram sua contribuição. Mas passados oito anos de sua re-fundação, é notória a necessidade de mudar os rumos da entidade.

Com a vitória de Eduardo Campos para Governador, a UEP perdeu seu protagonismo. Enrolou a maioria de suas bandeiras de luta, para levantar em seu lugar o estandarte do governismo acrítico e silencioso.

Apesar da Juventude do PT compor a entidade, neste período, pouco pode determinar de sua política. Seja pela divisão das forças na sua atuação, uns enquanto oposição a direção majoritária, outros como sua base de apoio e sustentação; seja pelo poder que o condomínio político formado para garantir a maioria estabeleceu logo da re-fundação.

Mas esta política está chegando a seu esgotamento. Assim como em todo o país, a organização de base do movimento estudantil pernambucano está numa escala descendente. O quadro agrava-se quando observamos a pouca relevância dada pela direção majoritária da UEP a este fenômeno.

Nestas circunstâncias, apenas se aprofundam as dificuldades do conjunto das esquerdas em reagir às investidas cada dia mais violentas da direita e seus novos aliados. Não ter uma entidade estudantil presente e combativa é enfraquecer um dos mais importantes setores da resistência social, que são os estudantes.

A Juventude do PT não pode, neste cenário, assumir posição defensiva ou coadjuvante. Temos toda a capacidade de incidirmos decisivamente na mudança deste quadro. Podemos contribuir com um novo movimento e um novo bloco, que dê conta de representar as verdadeiras necessidades e interesses dos estudantes pernambucanos.

Devemos pensar na possibilidade de organização de uma frente socialista universitária pernambucana, capaz de polarizar e pressionar pela esquerda, o conjunto do nosso movimento estudantil.

Por estas razões, e pelos compromissos que temos com o povo, e em especial a juventude de nosso estado, devemos nos preparar para remar contra esta maré. Convoquemos, pois, o EREPT, para que sejamos nós a fazermos com nossas próprias mãos, tudo o que a nós nos diz respeito.

*Coordenador de Formação Política da JPT-PE

3 comentários:

Unknown disse...

De volta acompanhando o seu blog...

Mr_P disse...

:) Obrigado.
Mas e o Guliver's Thoughts... Quero voltar a acompanhar também.

Unknown disse...

Esperando mudanças na rotina...não consigo escrever sob a mesmice!