*Patrick Campos
Em nossa história, que tem como
marca registrada lutas e resistências, novos capítulos vêm sendo escritos. Desta
vez, ou melhor, mais uma vez, um diminuto grupo de novos poderosos conseguiu
acumular forças para submeter à grande maioria a sua vontade. Uma
desproporcional e ameaçadora força econômica, que se impõe a política, as leis
e até mesmo a justiça.
Nestas circunstâncias, onde a democracia decai e se
desvirtua para a demagogia, um chamado a classe trabalhadora pernambucana se
faz indispensável. Primeiro, reconhecendo que na batalha diária da luta de
classes, apenas a nós podemos contar como companheiros. Segundo, identificando
e reconhecendo a existência dos nossos inimigos, mesmo quando estes parecem
estar ao nosso lado.
Nesta batalha campal, de
desdobramentos imprevisíveis, a juventude deve cumprir um papel estratégico e
decisivo. Nunca foi nossa característica a submissão e a complacência. Não é
agora que estas nefastas características devem nos surgir. Mesmo com as grandes
dificuldades impostas pela lógica do sistema, os momentos de dificuldade devem
ser também momentos de aprendizado.
Como protagonistas desta
história, e com o direito que nos é garantido de dizer o que pensamos, ficar
calado não é uma opção. É preciso gritar para que todos nos ouçam; é preciso
caminhar para que todos nos vejam; e é preciso agir para que todos nos sintam.
Se o momento parece, ou mesmo é
de defensiva estratégica, fundamental é organizar nossas defesas. Estas, por
sua vez, não estão atrás de muros, paredes e escrivaninhas. A luta do povo está
nas ruas. E é ai que devemos levantar nossas defesas. Vamos erguer verdadeiras
barricadas, sob as quais tremulará o vermelho de nossa bandeira, e o brilho da
nossa estrela.
A força do Partido dos
Trabalhadores potencializa-se com a de sua juventude. Somos dezenas de milhares
espalhados em todas as cidades de nosso Estado. Em cada sala de aula, cada
parque, fábrica, igreja, sítio, repartição, em cada fila, cada festa, em cada lugar
que pensarmos, indiscutivelmente haverá a presença do petismo.
E é neste momento de necessária
organização, que a unidade se faz determinante. Unidade em torno de um projeto
verdadeiramente transformador, socialista, democrático e, sim, revolucionário.
A unidade que garanta a soma, mesmo que nas divergências. A unidade que
possibilite um avanço real na construção de um novo mundo possível.
É com este espírito e esta
vontade, que a Juventude do Partido dos Trabalhadores deve conclamar todos os
estudantes do estado de Pernambuco a participarem do Encontro Estadual de
Estudantes Petistas.
Na pauta, nos está posta a tarefa
de discutir um balanço dos 10 anos do Governo do PT na Educação; qual a
Educação que queremos para o Brasil; e o Movimento Estudantil, sua concepção e
organização. Os três temas nos conduzem a profundas reflexões, às quais, quando
coletivizadas, produzirão a síntese do pensamento e da ação da JPT-PE para o
próximo período em uma de suas principais frentes de atuação, o Movimento
Estudantil.
Não obstante, realizar o Encontro
até Abril de 2013 tem sua razão mais do que especial para nós. Estamos em ano
de Congresso da União dos Estudantes de Pernambuco, entidade máxima da
representação estudantil universitária em nosso estado.
A UEP Cândido Pinto, que tem na
sua história gloriosas lutas e conquistas, precisa ser encarada com profundo
respeito pelos jovens petistas. Afinal, se hoje a UEP está reerguida, não foi sem
o trabalho e a dedicação de diversas companheiras e companheiros do PT, que em
cada momento histórico e decisivo da entidade, deram sua contribuição. Mas passados
oito anos de sua re-fundação, é notória a necessidade de mudar os rumos da
entidade.
Com a vitória de Eduardo Campos
para Governador, a UEP perdeu seu protagonismo. Enrolou a maioria de suas
bandeiras de luta, para levantar em seu lugar o estandarte do governismo acrítico
e silencioso.
Apesar da Juventude do PT compor
a entidade, neste período, pouco pode determinar de sua política. Seja pela
divisão das forças na sua atuação, uns enquanto oposição a direção majoritária,
outros como sua base de apoio e sustentação; seja pelo poder que o condomínio
político formado para garantir a maioria estabeleceu logo da re-fundação.
Mas esta política está chegando a
seu esgotamento. Assim como em todo o país, a organização de base do movimento
estudantil pernambucano está numa escala descendente. O quadro agrava-se quando
observamos a pouca relevância dada pela direção majoritária da UEP a este fenômeno.
Nestas circunstâncias, apenas se
aprofundam as dificuldades do conjunto das esquerdas em reagir às investidas cada
dia mais violentas da direita e seus novos aliados. Não ter uma entidade
estudantil presente e combativa é enfraquecer um dos mais importantes setores
da resistência social, que são os estudantes.
A Juventude do PT não pode, neste
cenário, assumir posição defensiva ou coadjuvante. Temos toda a capacidade de
incidirmos decisivamente na mudança deste quadro. Podemos contribuir com um
novo movimento e um novo bloco, que dê conta de representar as verdadeiras necessidades
e interesses dos estudantes pernambucanos.
Devemos pensar na possibilidade
de organização de uma frente socialista universitária pernambucana, capaz de
polarizar e pressionar pela esquerda, o conjunto do nosso movimento estudantil.
Por estas razões, e pelos
compromissos que temos com o povo, e em especial a juventude de nosso estado,
devemos nos preparar para remar contra esta maré. Convoquemos, pois, o EREPT,
para que sejamos nós a fazermos com nossas próprias mãos, tudo o que a nós nos
diz respeito.
3 comentários:
De volta acompanhando o seu blog...
:) Obrigado.
Mas e o Guliver's Thoughts... Quero voltar a acompanhar também.
Esperando mudanças na rotina...não consigo escrever sob a mesmice!
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