Quem esteve presente no Estádio
do Arruda na noite da última segunda-feira, assistiu a dois episódios que por
muito não serão esquecidos. O primeiro, sem dúvida, foi a bela vitória da
seleção brasileira sobre a China. O segundo, no entanto, não teve nada de belo.
Um ato de desrespeito a democracia por parte de policiais militares da Tropa de
Choque que impediram o acesso de torcedores ao estádio.
Ao chegar a entrada 2 do estádio,
fui barrado por estar com um adesivo colado à camisa. O adesivo, fazia
referência as cores da bandeira do Brasil e o símbolo do partido que apoio, uma
bela estrela. Segundo o policial que fez a abordagem, não estava permitida a
realização de nenhum tipo de propaganda ou campanha eleitoral dentro do
estádio.
Mesmo sem concordar, acatei ao
pedido do policial e retirei o adesivo. Um segundo policial que observava a
cena, pediu para que abrisse minha bolsa. A revista consistiu num constrangedor
ato de retirar panfletos e arremessá-los ao chão. Uma pequena bandeira vermelha
que sempre carrego comigo, foi confiscada.
Não bastando, o amigo que vinha
comigo viu-se obrigado a trocar de camisa e jogar a outra fora, pois esta
possuía uma estrela bordada junto ao peito. Uma cena que deixou perplexos a
todos que assistiram.
Conversando com outros policiais
para descobrir a razão de tais atitudes, a resposta era padrão: “não está
permitida nenhuma campanha dentro do estádio”. Nos deixaram ir ao conferirem
que nada nos restava (como até mesmo as roupas).
Discutimos o assunto por algum
tempo, indignados com a atitude e a truculência de algumas abordagens, sem
entender o motivo real daquela atitude, mas logo nos concentramos no jogo.
Vitória do Brasil.
Mas qual não é o meu espanto ao ver
em toda a imprensa da cidade, na manhã do dia de hoje (11/09) estampada a foto
do Governador do Estado, Eduardo Campos, vestido numa camisa que ostenta o
número de seu partido ao receber um prêmio da CBF.
Mas “não está permitida nenhuma campanha dentro
do estádio”? Não era verdade. Não era uma regra que servia a todos. A proibição
era velada e direcionada. Típica atitude coronelista das velhas e novas
oligarquias. Uma verdade inconveniente para muitos. Um absurdo que não poderia
passar em branco.

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