31.3.11

Sobre a UEP e o Movimento Estudantil

A União dos Estudantes de Pernambuco - UEP, é a entidade que representa todos os estudantes universitários do Estado de Pernambuco. Existe há 65 anos, e tem o nome de Cândido Pinto.

Dito dessa forma, deve ficar a pergunta, mas para que serve a UEP? E o que ela faz?

Historicamente a UEP foi a grande responsável pelas conquistas que o Movimento Estudantil alcançou em Pernambuco. Ela serve para construir e representar as entidades de base de cada curso, de cada faculdade, e de cada universidade pernambucana. Fazendo com que os estudantes se organizem em CAs, DAs e DCEs e dessa forma façam a luta política no dia-a-dia da sua vida acadêmica.

Sabemos que ser estudante não é tarefa fácil. Além de muitos de nós terem que estudar na maioria das vezes em insituições que não oferecem um ensino de qualidade, que não têm estrutura física, e nem um quadro de professores qualificados, ainda precisamos trabalhar, enfrentar problemas familiares, cobranças, relacionamentos, e claro, nos divertir!

É na luta diaria pela melhoria da nossa vida enquanto estudantes que o Movimento Estudantil cumpre seu papel. Nos aproximando de outros estudantes, nos dando força enquanto coletivo, fazendo com que tenhamos a capacidade de melhorar cada vez mais nossos cursos, faculdades e universidades, que são o principal espaço de convivência e formação nessa fase de nossas vidas. É por essa razão que entidades como a UEP são tão importantes. São elas que nos colocam nas ruas, nas passeatas, no frente a frente com prefeitos, governadores, reitores, ampliando nossas vozes e nos fazendo ser ouvidos.

Em breve viveremos mais um momento decisivo na história da UEP. Como acontece a cada dois anos, a entidade realizará o seu Congresso, que é um espaço de reunião de todos os estudantes universitários de Pernambuco para discutir e decidir os rumos da entidade nos próximos dois anos. É nesse sentido que o debate em torno do que queremos para a UEP e para o Movimento Estudantil pernambucano ganha proporção.

Vivemos um momento onde o ensino superior se expandiu para além da capacidade de regulação direta e real do Estado. Temos em 2011 além de Universidades Federais e Estaduais, as Autarquias Municipais, as Particulares e Faculdades de Ensino a Distância. As vagas no ensino superior aumentaram, e com elas aumentaram também os problemas enfrentados pelos estudantes.

Em Pernambuco existem 3 Universidades Federais, UFPE, UFRPE e UNIVASF, além dos IEFS (antigos CEFETS), que passam por problemas estruturais históricos. Nos casos da UFPE e da UFRPE a implantação do REUNI (Programa de Reforma e Reestruturação das Federais) ainda é um problema a ser solucinado, em especial no que tange a assistência estudantil e os programas de bolsas de pesquisa. Na UNIVASF os estudantes lutam a desde sua criação pela implantação do Restaurante Universitário com preço acessível, pelo aumento da quantidade de bolsas permanencia e a conclusão das obras de vários prédios, como no Campus de Juazeiro.

O caso da UPE é emblemático! Depois de mais de 15 anos pagando mesalidades em uma Universidade Pública, com muita luta dos estudantes, deixamos de ter a única Universidade Pública que era paga em todo o Brasil. Mas infelizmente a Universidade ainda sobre com a falta de autonomia financeira, tendo seus recursos geridos por uma fundação privada. Além dos problemas enfrentados pelos campus do interior, onde a falta de professores, de laboratórios, de bibliotecas e em alguns casos até mesmo de prédios, fazem com que o Movimento Estudantil tenha uma importância diferencial.

As Autarquias Municipais representam um dos grandes problemas das médias cidades. Primeiro porque todas cobram mensalidades, altas taxas que tem superado até mesmo as das Faculdades Particulares. É o caso da FACAPE em Petrolina, da AESA em Arco Verde e da AEDS em Salgueiro. Funcionam como instituições privadas, na lógica mercadológica, se afastando muito do modelo de universidade pública que desejamos.

Lidamos também com as instituições de Ensino a Distância, que a cada dia ganha mais espaço na realidade do nosso ensino superior. Os problemas das EADs estão diretamente ligados a base do conceito de Universidade, que é o Ensino, a Pesquisa e a Extensão. Quase nenhuma destas instituições consegue dar conta se quer do ensino, oferencendo cursos de baixa qualidade e formação deficiente. Uma realidade que os estudantes das EADs sabem bem que precisa mudar.

Com essa rápida análise do cenário que nos está colocado, fica evidente a necessidade do Movimento Estudantil tomar muitas providências. O Congresso da UEP sera apenas o começo de um processo que nós precisamos liderar. Um processo de transformação, baseado na luta, na disputa política, na organização dos coletivos de base e na disciplina militante.

Se desejamos viver essa fase de nossas vidas em sua plenitude, em busca da formação educacional e política que julgamos ideais, precisamos nos organizar, precisamos lutar.

Vamos para a luta!

26.3.11

À Um amigo...

As vezes uma vontade icontrolável de sair deste mundo maluco toma conta da gente.
Esse turbilhão de pessoas, sentimentos, acontecimentos... é tanta coisa, e nenhuma razão para elas serem o que são.
A quatro anos companheiro, você se livrou disso daqui...
A quatro anos companheiro, eu fiquei mais só nisso aqui...
Você faz falta.
Saiba!

9.1.11

Em Cochabamba

Mudança nos planos, nao fiquei em La Paz como previsto.
Conheci uma menina chamada Nataly, ela foi deixar sua irma que é freira em La Paz e ficou na mesma igreja onde eu estava. Como ela mora em Cochabamba, pedi para vir com ela até aqui, ela aceitou e cá estou.
Chegamos cedo 05:30, depois de sete horas num onibus que nos custou apenas 25Bs (R$5,00).
Por ser domingo e a cidade estar muito cheia, visto que também sao férias, nao encontramos vagas nos hoteis e albergues proximos a rodoviaria. Por isso ficamos numa pousada um pouco mais distante, que custou 60Bs.
Nataly foi para a casa dela e voltou por volta das 10:30.
Primeiro fomos ao El Prado uma Praça muito bonita no centro da cidade. No fim do El Prado fica a Parça das Bandeiras, onde se encontram bandeiras de diversos paises. compramos alguns presentes e seguimos para o Cristo. Cochabamba possui um enorme cristo, semelhante aos nossos de corumbá e do rio, esse aqui tem por volta de 40m de altura, e fica no alto de uma serra, onde se tem a vista de toda a cidade.
Voltamos para o alojamento para pegar as coisas e agora estou numa Lan em frente ao terminal rodoviário, comprei uma passagem para voltar a Santa cruz, porque tem um trem amanha para Puerto Quijarro as 16:00.
Continuo sem poder colocar os vídeos.

Abraços.

7.1.11

Em La Paz

Cheguei a cidade de El Alto, a mais alta do mundo! 4.200 m acima do nível do mar.
Um friiio monstruoso.
Nunca passei tanto frio em minha vida!
Passei uma noite (dia 03, quarta-feira) em Sandra cruz de la Sierra, no onibus fiz alguns amigos e decidi seguir viagem com um deles até La Paz. O nome dele é Pedro, um senhor Colombiano que está mochilando também desde o Natal.
Quando estavamos chegando aqui na cidade de el Alto, que fica ao lado de La Paz, Pedro me conta que ele é um Padre!!!!
Ele é uma figura, e me trouxe para o alojamento da Igreja, que é do grupo Salesianas.
Aqui conheci a irma Virginia, outra figura fantastica.
Fico aqui ate domingo, quando volto a santa cruz para pegar um trem até Puerto Quijarro, fronteira com o Brasil.
Infelizmente a internet aqui da Lan House nao tem muita velocidade para carregar os videos,entao vou ficar devendo.
Por enquanto é isso.

Abracos.

25.11.10

CARTA

Eu queria trazer-te uma imagem qualquer
para os teus anos...
Oh! mas apenas este vazio doloroso
de uma sala de espera onde não está ninguém...
É que,
longe de ti, de tuas mãos milagrosas
de onde os meus versos voavam - pássaros de luz
a que deste vida com teu calor -
é que longe de ti eu me sinto perdido
- sabes? -
desertamente perdido de mim!
Em vão procuro...
mas só vejo de bom, mas só vejo de puro
este céu que eu avisto da minha janela.
E assim, querida,
eu te mando este céu, todo este céu de Porto Alegre
e aquela
nuvenzinha
que está sonhando, agora, em pleno azul!

Mário Quintana - Rua dos Cataventos & Outros Poemas

Tábata, feliz aniversário.

14.9.10

Lá se vão 20 anos...

Acordei com 20 anos de idade.
Custei a levantar da cama, pensando no que isso representa.
São duas décadas. Duzentos e quarenta meses que findaram fazendo deste que vos escreve, apenas mais um menino de vinte anos.
Quanto tinha quatorze, pensava que logo logo estaria longe de casa, morando sozinho, estudando, com alguma renda, fazendo novos amigos e me divertindo muito. Até ai, consegui fazer tudo. Com muita felicidade e algum arrependimento.
Felicidade por ter a família que tenho; por ter conseguido em tão pouco tempo, fazer os amigos que fiz; e mesmo hoje, achando a vida chata pra caramba, conseguir me divertir com ela.
Admiro os sortudos e hipócritas que dizem de nada se arrependerem, pois eu tenho os meus arrependimentos.
Queria deixar este registro público, mesmo sem saber se quando tiver trinta anos, o tempo não terá se encarregado de mostrar que fiz as coisas e escolhas certas, sem caber então, este arrependimento que hoje é tão perene.
Deixei para trás, quando tinha 17, uma menina. Foi sem dúvida a decisão mais estúpida que já tomei até hoje, porque me baseava no que me parecia ser a razão, sendo que daquela vez, deveria ter deixado que ela não controlasse tanto meus sentimentos. Se puder, ainda consertarei isso.
Não consegui descobrir porque perdi um amigo. Não deveria ter me afastado e mesmo distante, quando percebi que ele precisava de ajuda tinha que saber como ajudá-lo. E isso já não dá pra consertar.
Tem mais duas ou três coisas menos significantes, as quais dou conta de certeza.
Em vinte anos aprendi a confiar nas pessoas e ter fé nelas. Seria muito mais fácil sentir isso por um Deus, mas... as pessoas existem.
Lá se vão vinte anos de muitas viagens, gente conhecida e planos feitos. De muita diversão e aprendizado. De dúvidas e embaraços.

Acordei com 20 anos, mas não os sinto ainda. Só que espero senti-lo, quando os próximo vierem.

São os meus 20 anos.




1.7.10

Manhã chuvosa

Quando entrei naquele ônibus, pensava apenas em escutar o album da Legião que tinha colocado no MP3. Não esperava que tudo aquilo acontecesse.
Sentei na penúltima cadeira, aquela da parte de trás que fica junto a janela. Observava como cada um dos novos passageiros entrava e se comportavam quando viam as imagens que a BUS TV transmitia. Os que estavam sentados, disfarçavam um certo constrangimento a cada vez que o número de pessoas em pé aumentava. Parece que ficar sentado num ônibus é um privilégio, uma honraria, que aqueles que estão em pé não tiveram chances de alcançar.
Quando o cara grande entrou, imaginei que fosse tentar ficar lá na frete, mas não. Veio para trás e sentou-se atrás de mim. Colocou o pé suspenso no ferro que segura o vidro que nos separa da cobradora. Acho que ela não gostou, mas ele não se importou. Deixou o pé lá por toda a viagem.
Chegando perto do bairro do Itaigara, o ônibus já estava quase vazio. Atrás restavam apenas eu, o cara grande e uma moça . Ela usava uma jaqueta vermelha, tinha o cabelo em coque e um rosto fino, marcado pelo batom cor de cereja e uma leve maquiagem sobre os olhos.
Ele levantou. Ela o seguiu. Um cheio horrível invadiu o ar. Ele tinha soltado um peito.
Não desceram. Sentaram-se lado a lado em um banco pouco atrás do motorista. Fiquei olhando o desenrolar da cena. Eles não pareciam se conhecer, mas já estavam conversando. Deram um beijo. Não entendi o que acontecia.
Continuaram uma conversa de frases curtas. Ela parecia não querer papo, ele parecia rir de alguma coisa. Mais dois pontos a frente, e desceram. Juntos. Cada um com um guarda-chuva. E seguiram para lados opostos na rua.
Enquando olhava tentando entender o que acontecia, olhei pelo resto do ônibus. E lá estava. Um sapato com salto. Rosa. Rodeado de detalhes brancos e pretos. Quase uma oncinha. Como aquilo não tinha chamado minha atenção antes?
O cabelo estava jogado para a frente dos ombros, passando a impressão de que era curto. Me lembrou Ana Paula Maich. Depois de olhar com mais interesse e ver que ela não parava de mexer nos cabelos ainda molhados, talvez pela chuva, ou talvez por ter acabado de sair de casa, notei que ela se olhava. Claro que se olhava, havia um vidro imenso em sua frente. Ali podia ver seu reflexo, claro, sem detalhes, mas o suficiente para imaginar cada contorno do seu rosto. Era bonita. Uma pele clara, sensível, sem maquiagem. Um nariz fino.
Passou pela minha cabeça a possibilidade dela estar me observando pelo reflexo. Não estava. Sua única preocupação era passar a mão pelo cabelo, arrumar e desarrumar a franja. O cabelo já estava quase seco.
Quando chegávamos perto do último ponto, onde eu iria descer, ela levantou. Não olhou para trás num primeiro momento, apenas levantou a calça com a ponta dos dedos e ajeitou o cabelo uma última vez. Passei por era antes que conseguisse sair do meio das cadeiras. Olhei rapidamente. Não tinha absolutamente nenhum traço daqueles que meus olhos viam no vidro.
Desceu, abriu o guarda-chuva e foi embora. Olhou para trás depois de atravesar a rua. Seguiu.