2.11.21

Dias para pensar

Existem dias que devemos simplesmente parar.

Deixar o ar entrar nos pulmões e pensar nele por um instante.

Em como são simples as coisas mais importantes.

Complicamos demais a vida. 

Exigimos demais dela, quando ela nos pede tão pouco.

As vezes, apenas inspirar e expirar. E perceber que tudo, queiramos ou não, uma hora vai passar.



6.9.21

Democracia ou Golpe? O 7 de setembro e a luta contra o autoritarismo

Publicado em: https://pontocritico.org/06/09/2021/democracia-ou-golpe-o-7-de-setembro-e-a-luta-contra-o-autoritarismo/


Mais de 583.628 pessoas mortas em decorrência da covid-19. Quase 20 milhões de famintos. 40 milhões de desempregados e desalentados. Metade da população do país em situação de insegurança alimentar. O litro da gasolina custando em média R$ 7,00, o botijão de gás mais de R$ 100,00 e o risco iminente de um apagão elétrico, com o povo pagando a conta com aumento nas tarifas energéticas. Será nessas condições que o Brasil chegará no 7 de setembro de 2021.


É diante desse cenário que a extrema-direita, uma das responsáveis diretas por essa situação, convoca mobilizações golpistas em todo o país. Bolsonaro e seus aliados sabem que nos aproximamos de uma situação limite, quando as condições de vida da maioria do povo pioram brutalmente em decorrência da política negacionista e do programa ultraneoliberal, sendo o autoritarismo o caminho para dar seguimento a essa política entreguista, privatista e de morte.


Como vimos há poucas semanas, na votação da PEC do voto impresso, o Partido Militar (que hoje é uma das principais vigas de sustentação do bolsonarismo) colocou tanques nas ruas de Brasília para dar uma demonstração de força e ameaçar os parlamentares. O objetivo foi parcialmente alcançado, afinal, mesmo derrotada, a PEC teve o apoio da maioria entre aqueles que votaram e catalisou a ânsia golpista dos setores mais extremistas do bolsonarismo, como aqueles que pedem um novo AI-5 e intervenção militar.


Diante das quedas em todas as pesquisas de opinião e da iminência de uma derrota eleitoral, Bolsonaro faz aquilo que a direita tem feito desde 2016: não pagar pra ver. Em 2016, deram o golpe contra a presidenta Dilma, depois prenderam o presidente Lula, tiraram seus direitos políticos, o impediram de concorrer nas eleições de 2018 (quando Lula, assim como agora, também liderava todas as pesquisas), e conjuraram do esgoto o neofascismo bolsonarista.


Enquanto faziam isso, impuseram o programa ultraneoliberal, com a criação do teto de gastos, o congelamento dos investimentos, a privatização de setores estratégicos, o desmonte da previdência social, da legislação trabalhista, do Bolsa Família e um ataque sem precedentes ao meio ambiente, as políticas de cultura e de educação. Não é absurdo afirmar que em cinco anos, a direita fez o Brasil retroceder décadas, tudo isso, entre outros motivos, para não pagar pra ver.


O objetivo é fazer do país aquilo que ele foi no passado, um estado dependente, exportador de matérias primas, controlado pelo latifúndio e o agronegócio, onde a questão social era caso de polícia e em que a classe dominante possuía uma taxa de lucros que a permitia acumular riquezas com o máximo de exploração da classe trabalhadora. Além disso, reforçando por meio da violência, todos os tipos de racismo, o machismo e as estruturas de opressão e dominação que por séculos foram erguidas contra o povo brasileiro, especialmente a população pobre, negra e as mulheres.


Para a direita dar seguimento a esse programa e atingir esses objetivos é cada vez mais necessária uma mudança nas regras do jogo. Por isso, as constantes tentativas de mudar o sistema político e eleitoral, com propostas como semi-presidencialismo e parlamentarismo. No entanto, Bolsonaro e seus aliados já demonstraram mais de uma vez, em diversos ensaios, que não vão pagar pra ver. De tal forma que o 7 de setembro está sendo tratado por eles como uma possibilidade de virar a mesa.


É por isso que toda a mobilização popular neste 7 de setembro, organizada principalmente nos atos do Grito dos Excluídos, precisa ser para enfrentar essa ofensiva que possui um caráter golpista. É a democracia, assim como a vida e as liberdades, que está em risco diante dessa escalada autoritária.


Há diversos setores receosos de enfrentamentos diretos, com a realização de atos simultâneos com aqueles convocados pela direita. Mas não devemos temer. A classe trabalhadora brasileira possui um histórico de luta e mobilização que já foi capaz de derrotar as elites e seus asseclas por mais de uma vez. Se não os enfrentarmos agora, corremos o risco de desacumular num momento que crescemos.


Desde a recuperação dos direitos políticos de Lula, e dos diversos atos nacionais realizados a partir do dia 29 de maio, cada vez mais setores do campo democrático-popular se colocaram em luta, enfrentando o vírus e seus principal aliado que é o governo Bolsonaro.


A direita não pode ocupar as ruas e muito menos achar que nos tiraram delas. O 7 de setembro de 2021 precisa ser maior que todos os atos que realizamos até agora. Que travemos o bom combate, lado a lado, em defesa da vida, da soberania e da democracia e contra o a fome e o autoritarismo.


*Patrick Campos, Advogado, membro do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores

15.5.21

Sobre as dúvidas

 Alguma coisa mudou. 

E a mudança doeu, principalmente por não saber porque aconteceu

Na dúvida, lembro que tudo muda

E isso ajuda

Mesmo que no fundo

Sinta que devo perguntar de quem é a culpa

2.5.21

Sobre novos amigos

Fiz um novo amigo 

Alguém que não esperava

Mas parece ser assim que elas funcionam 

Com novos segredos e confissões

Coisas que não se contam nem pro travesseiro

Mas que para o novo amigo se fala


23.4.21

Sobre muros e defesas

As defesas foram recompostas.

Os muros que tinham sido penetrados, mais uma vez foram reconstruídos.

Depois de tantas vezes, pegamos a prática.

Pelo menos disso podemos nos orgulhar.

O ruir constante de nossas defesas proporciona os raros momentos sem tristeza.

E a capacidade de reconstruir, mantém os piores afastados.

17.4.21

Sobre a distância

O tempo e o espaço são dimensões da existência

Sua força é capaz de quase tudo no universo 

E também é para cada indivíduo que existe nele 

Que bom para o universo e que bom para cada um ter a distância e o tempo 


Para o universo, o espaço-tempo dá sustentação

Para o indivíduo, ele cria toda a ilusão

E para todos tudo isso parece ser parte da razão 


Pena que nos dias difíceis, para o universo e os indivíduos, o tempo e o espaço deixem de fazer sentido

Então ficamos assim 

Pensando em como tudo poderia ter sido


Desejando que o tempo passe ou volte

Até que a distância afaste de vez ou traga mais uma vez aquela que um dia nossa ilusão tanto quis 

Que nunca tivesse existido 

Ou que jamais tivesse partido




4.4.21

Sobre as confidências para a solidão

A solidão é uma companheira 

Amiga, fiel e também conselheira 

Mas é uma desgraçada, como qualquer amigo 

Que sem pena nem dó, nos atira verdades na cara


E a verdade sobre a solidão é que ela não nos deixa 

Mesmo quando acompanhados

Sua presença pode ser sentida, bem ali, do lado

Cochichando aquelas verdades que em confidência falamos ao acaso