2.7.12

O "ritmo de Pernambuco"

Na tese de que o Recife precisa seguir o "ritmo de Pernambuco" algo precisa ficar claro: Foi o PT quem estabeleceu esse ritmo. Com os investimentos do Governo Federal a economia do Estado foi dinamizada. Realmente, crescemos e continuamos crescendo. No entanto, este crescimento nao foi posto a serviço de um programa desenvolvimentista democrático e popular, transformador e socialista. O crescimento econômico de Pernambuco vem tendo uma orientação desenvolvimentista sim, mas no entanto, conservador. Limitado. Nao e' este o modelo, ou, o "ritmo" que quero para o Recife. Seus operadores do Partido Socialista Brasileiro estão errados. Precisamos de um ritmo que associe crescimento econômico com um programa mais ousado, desenvolvimentista democrático e popular. No Brasil, em Pernambuco e no Recife o comprometimento com esta tese, com este "ritmo", e' do Partido dos Trabalhadores.

9.6.12

Do pouco e do muito

Na escuridão do quarto, as formas tornam-se assustadoras. As imagem ganham contornos sombrios. Pouco se e' revelado que seja verdadeiro. Na escuridão da alma, os sentimentos tornam-se maravilhosos. Estes ganham contornos perfeitos. Muito se e' revelado e tudo e' verdadeiro.

1.6.12

Uma possível troca de presentes

Era uma vez... Num planeta muito, muito distante, onde viviam criaturas que respiravam, comiam, dormiam tinham uma vida tranqüila e feliz. Lá, eles haviam criado uma coisa chamada relogio. Era algo usado para medir e definir a passagem de algo que os antigos haviam chamado de tempo. Este fantástico aparelho tornou-se responsável por decidir como deveria ser dividida a vida daquelas criaturas. Assim como o relógio, também foi criado algo que chamou-se de calendário. Esta outra maravilhosa invenção possuía a mesma função do relógio, mas servia para definir parcelas maiores daquela coisa chamada tempo. Neste aparelho, algumas marcações (que aquelas criaturas convencionaram chamar de dias) possuíam certas especificidades. Uma dessas especificidades fazia com que, em um determinado dia, aqueles entre aquelas criaturas que haviam escolhido manter um nível maior de proximidade, trocassem presentes, para comemorar sua união. Acontece que, algumas destas criaturas nao desenvolviam a capacidade de se aproximar das demais a ponto de manifestar o interesse necessário para aquela típica união. O triste resultado era que, quando se aproximava este dia, aquelas criaturas viviam atormentadas. E se, por algum acaso, aquele outro ser com o qual ela mantinha a união atípica, desejasse transformar a união para a forma convencional e depositasse suas expectativas justamente no fatídico dia da troca de presentes? Como deveria agir a pobre criatura? Reza a lenda, que ela perguntou e aguardou por respostas!

23.5.12

Fico preocupado...

Admitir que a cidade do Recife nao acompanhou o mesmo ritmo do resto do estado, e' admitir que houveram bons avanços em Pernambuco sob a gestão do PSB e que o PT foi incapaz de fazer o mesmo com a cidade. Tudo bem, essa e' uma opinião de quem concorda com o projeto desenvolvimentista do PSB e esta' de acordo com a linha Eduardista de gestão. Para aqueles que, assim como eu, discordam do programa desenvolvimentista conservador do PSB, as gestões petistas no Recife sob a administração do ex-prefeito João Paulo realmente nao seguiram essa linha e nao acompanhou esse ritmo. Seja pelo fato da gestão petista ter iniciado antes da gestão Eduardista, seja pelo fato da clara distancia que separam os programas dos dois partidos ( que só nao enxerga quem nao quer). Agora me deixa surpreso, todos os dias pela manha ser surpreendido com analises políticas de militantes ditos de esquerda que se escoram nas palavras da mídia conservadora pernambucana para atacar o PT. Quem tem o mínimo de socialismo na cabeça, nao se deixa servir de instrumento da direita. Tudo bem que esse, talvez, seja um dos preços a se pagar por ser apenas militante virtual, mas até isso tem limite. Os caminhos percorridos por esta esquerda recifense fora do PT ou sao demasiadamente tortuosos e contraditórios para serem compreendidos, ou sao caminhos que levam a direita na estrada da política, nao sendo possível enxerga-los quando se esta' do outro lado. Este esforço sobre-humano de querer parecer mais de esquerda do que todo mundo, esta' tendo o efeito contrario. Mas a reincidência diária demonstra que há consciência disso e esse pode ser mesmo o seu objetivo. Fico preocupado... Uma saudação fraterna e respeitosa aos amigos do P-SOL nesta quarta-feira nublada.

22.5.12

Poeminha de noite triste

De que serviria que o mundo continuasse girando, E que as pessoas continuassem amando, Se este amor, nao pudesse ser vivido? Talvez seja exatamente por isso que o mundo, Ele nao para de girar. Talvez seja exatamente por isso que as pessoas, Elas nao pararam de amar, Para que o amor seja vivido, sentido e transcendido! No dia e no momento em que todas as pessoas se permitam amar.

17.5.12

De volta!

Faz exatamente um ano e dois dias da minha última postagem. Daquela vez, quem escreveu aqui foi um militante estudantil, que estava sem estudar. Hoje, escreve um frequentador de salas de aula, que não mais milita naquele movimento. Sinal sintomático de que o tempo passa, e é implacável. Sem dúvidas, teria muito o que escrever caso fosse tratar de tudo o que aconteceu desde que parei de postar. Mas não farei isso. Pretendo retomar a vida ativa deste querido Blog, mas com outra cara: A minha, atual!

14.5.11

QUANDO A ESTRADA VIRA À DIREITA, SEGUIMOS PELA ESQUERDA

QUANDO A ESTRADA VIRA À DIREITA, SEGUIMOS PELA ESQUERDA

Patrick Campos Araújo*

Os caminhos trilhados pelo movimento estudantil pernambucano são demasiadamente tortuosos. A entidade geral de representação dos estudantes universitários, UEP, é dirigida a seis anos de forma hegemônica pela União da Juventude Socialista, braço militante do PCdoB nos movimentos de juventude. A UJS mantém um arco de alianças com um conjunto de forças políticas atuantes na juventude universitária pernambucana.

Nesta aliança estão presentes diversos grupos do PT, notadamente a Democracia Socialista e a Construindo um Novo Brasil. Além dos petistas, contam com a juventude do PSB, do PTB e PPL. Como a UEP se organiza de forma proporcional, todas as forças compõem a direção, inclusive as que fazem oposição. Até o final do mês de Abril, também participava da direção da UEP, pelo campo de oposição, a União da Juventude Rebelião, juventude do Partido Comunista Revolucionário. Entretanto a UJR se retirou da diretoria, alegando a impossibilidade de diálogo com a UJS na condução dos processos eleitorais em torno do Congresso da UNE.

Para além destas, também está na diretoria da atual gestão, sob a tese RECONQUISTAR A UEP, a Juventude da Articulação de Esquerda (JAE). E é sobre o futuro deste grupo na composição da União dos Estudantes de Pernambuco, que me proponho a escrever.

A JAE, enquanto força que compõe a Juventude do PT, tem um acumulo de disputas que passa pelo movimento estudantil até instâncias internas do próprio Partido. Em Pernambuco, desde a Reconstrução da UEP em 2005, a Coordenação Estadual da JAE passou a tratar o movimento estudantil como uma de suas prioridades e com isso, a disputa da UEP passou a constar em sua pauta.

Este esforço construiu algumas vitórias nos dois primeiros congressos da entidade, como a vice presidência na gestão 2007/2009. Até aquele momento, foi mantida a avaliação de que era fundamental o fortalecimento da UEP, mesmo em desacordo com a linha política adotada pela fração majoritária da diretoria, que naquele momento se alinhava com o recém eleito Governo Eduardo Campos.

Exigia-se uma postura mais contundente do conjunto das forças frente ao novo governo, em defesa da educação pública, democrática e de qualidade. Evidência clara das diferenças existentes, deu-se na luta histórica pela Gratuidade e Autonomia da Universidade de Pernambuco. Enquanto A JAE defendia a unidade das duas bandeiras de luta, a UJS e aliados adotavam perante o governo a postura da acomodação, do adesismo governista e do pragmatismo.

A CONJUNTURA COM O GOVERNO EDUARDO CAMPOS

A eleição de Eduardo (PSB) Governador em 2006 proporcionou uma articulação dos movimentos sociais pernambucanos que se deu de formas muito diversas. Para a JAE, a prioridade era somar forças para impor uma derrota à direita de Jarbas Vasconcelos, o que naquele momento histórico, passava pela eleição de Eduardo, visto que os demais candidatos não ofereciam condições reais de derrotar o atual senador.

A JAE passou então a compor uma aliança denominada de Campo Democrático e Popular, para que dentro dos espaços dos movimentos sociais, especialmente do movimento estudantil, fortalecesse a esquerda e construísse uma alternativa socialista para as próximas disputas. Infelizmente, dentro da UEP, o funcionamento desde campo nunca ocorreu efetivamente, em uma rápida avaliação, por duas razões. Primeiro porque a UJS vinculou a pauta e a agenda da entidade ao Governo, deixando de priorizar o debate para esperar as demandas propostas pelo Palácio do Campos das Princesas. Segundo, porque não existiu uma estratégia que orientasse a ação conjunta das forças políticas, de forma que cada uma adotou sua própria tática de organização e condução da política interna. Uma aparente desorganização, mas que favoreceu a hegemonia da UJS e a imposição de sua política.

Esse movimento apenas se intensificou após a reeleição de Eduardo, justamente no momento em que o cenário criado por ele, que postula uma possível candidatura a presidência em 2014, é de alianças com os setores mais conservadores do país, haja vista o apoio dado a criação do PSD pelo prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, onde se realinham setores expressivos da direita.

O Governo Eduardo demonstra suas limitações e nós precisamos apontar alternativas de superação destas. É preciso defender o fortalecimento da esquerda socialista nos espaços de atuação da juventude universitária pernambucana, com sua maior expressão na UEP, e para tanto devemos fazer uma reavaliação da tática a ser adotada.

PENSANDO UM CAMINHO A SEGUIR

Se a estrada está virando a direita, precisamos seguir pela esquerda. O alinhamento da direção majoritária da UEP com uma pauta política que não vem da base real das universidades, mas sim da agenda de um governo que caminha ainda mais para a direita, seguida de sua indisposição de diálogo com alguns setores da oposição, cria um clima de grande instabilidade na rede do movimento estudantil. Com a aproximação do Congresso da UEP, as forças políticas precisam tomar posições que demonstrem claramente o que pretendem para a próxima gestão.

É evidente a opção que determinadas forças devem adotar, compondo a aliança construída pela UJS para manter ao menos uma existência institucional dentro da entidade. A JAE não pode compartilhar desse mesmo pensamento, primeiro porque a existência das forças comprovasse na disputa e construção da base, não no simples acordo. Segundo, porque mesmo que haja alguma convergência, não pode ser válida uma aliança tática que contrarie e comprometa a o exito da estratégia. Cada força precisa admitir e reconhecer seu tamanho real, e assumir as consequências deste reconhecimento.

A Juventude da Articulação de Esquerda vêm discutindo diariamente com o conjunto dos estudantes que se organizam ou tem referência em sua organização, sobre o papel ela cumpre dentro da UEP e do ME pernambucano. É preciso reconhecer que foi fundamental para o amadurecimento e fortalecimento enquanto força política, sua participação nas gestões da UEP desde a reconstrução. Principalmente porque se conseguiu contribuir, dentro das possibilidades dadas, com este seguimento do movimento social no Estado de Pernambuco.

Agora é chegada a hora de tentar avançar ainda mais. Precisa-se construir e apresentar uma alternativa verdadeira, com capacidade real de disputa e de vitória para a esquerda socialista universitária pernambucana. Nesse sentindo, discutir em curto prazo e mudar a médio e longo prazo a linha política da União dos Estudantes de Pernambuco é a tarefa que deve ser adotada. Todavia, se isso for feito com a atual composição da entidade, será um esforço em vão, pois o pragmatismo da atual maioria inviabiliza qualquer possibilidade de sucesso.

Com essa perspectiva, deve ser apoiada a realização de um Encontro Estadual de Entidades de Base de Pernambuco, visto que um fórum desde porte, livre de tensões e pretensões eleitorais, pode contribuir para aprofundar debates, construir convergências e avançar ainda mais no sentido de consolidar uma diretriz política articulada com a luta geral e real do ME em nosso Estado.

Neste momento de intensa disputa envolvendo todas as forças políticas em torno do Congresso da UNE e da UEP, a JAE deve fazer a disputa política apenas onde lhe parecer possível. A consolidação de uma esquerda socialista no movimento estudantil pernambucano, orientada pelo marxismo leninismo, deve ser o horizonte. Até lá, deve-se observar até onde a estrada chegará.

* Patrick Campos Araújo é estudante de Direito e militante da Juventude da Articulação de Esquerda de Pernambuco.